quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O poder motivador do tesão

Esta é a história de como a masturbação me tirou da pobreza. Se você é um moralista ou um descrente, pare de ler por aqui. Ou continue... Talvez lhe faça bem.

O caso que vou lhes contar acaba de acontecer, embora eu precise recordar uma série de fatos anteriores para enfatizar a importância do ocorrido. Trata, no fim das contas, da motivação que só o tesão é capaz de nos proporcionar e, ao mesmo tempo, de como ele pode ser uma tremenda armadilha.

Ocorre que, desde ontem, algo misterioso aconteceu com a minha internet, me deixando quase completamente desconectado do mundo digital (só o celular funcionava). À noite, minha companheira e eu passamos horas tentando encontrar algo para fazer - sim, nós exploramos essa opção que você pensou até ela se esgotar - até que, como última opção, esmolamos um dvd para minha mãe e acabamos nos aventurando por uma dessas comédias com Owen Wilson.



Tivemos que nos desdobrar para resolver coisas ontem de modo analógico, e hoje tudo ia pelo mesmo caminho. O celular ajudava, mas se tornava cada vez mais necessário o uso de combinações que envolvessem computador + internet, fosse para resolver assuntos profissionais, fosse para baixar os sagrados seriados. Estava começando a sentir uma certa depressão pairando no ar.

Tentamos algumas alternativas que poderiam fazer a internet voltar e que já tinham sido aplicadas com sucesso no passado, mas nenhuma repetiu o êxito desta vez. Havia outras coisas a se tentar, mas envolviam algum esforço que ainda não estávamos dispostos a fazer, basicamente por preguiça social. "- Preguiçosos idiotas!", dirão alguns... Talvez, mas este não é o ponto. A questão é que essa Preguiça sobrepujara o poder do Tédio, e ninguém duvida da força que este tem de nos tirar da inércia.

Quando a Preguiça se torna mais forte que o Tédio, meus caros, só existe uma força capaz de superá-la: o Tesão. Bastou minha companheira ir embora para que a necessidade da combinação computador + internet aumentasse exponencialmente. Bastaram 90 minutos da partida dela para que eu estivesse publicando este post.

Tudo só pra entrar no x-videos.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nanoesculturas: provando que tamanho não é documento


O artista britânico Jonty Hurwitz criou as menores esculturas já feitas pelo homem. O trabalho foi realizado em parceria com cientistas do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe e Instituto Weitzmann de Ciência e durou cerca de 10 meses. Eles usaram uma nova técnica de impressão em 3D chamada Multiphoton Litography para criar obras que podem chegar ao tamanho de um espermatozoide.



As esculturas se chamam Trust, Intensity e Cupid and Psyche (inspirado na obra de Antonio Canova), e a menor delas mede cerca 80 x 100 x 20 microns.

Estátua original, de Antonio Canova, atualmente exposta no Museu do Louvre



Curiosidades:
- Um fio de cabelo humano tem cerca de 100.000 nanômetros (100 microns) de espessura.
- O tamanho dessas esculturas é o equivalente ao quanto suas unhas crescem a cada 5 ou 6 horas.



Confiram o making off do processo de criação das obras.



"O olho humano é incapaz de perceber essas esculturas. Tudo que você vê é um pequeno espelho com... nada sobre ele. A única forma de perceber essas obras é através da tela de um poderoso microscópio eletrônico. Então como saber que essa escultura realmente existe? A única forma de interagir é através de uma tela e um mouse, separando você da arte através do vácuo e de uma série de processos quânticos matematicamente surreais que banham a estátua com partículas para nos mostrar seus contornos. É possível ter certeza da sua existência se seus sentidos básicos dizem que não há nada lá? A linha entre mito e ciência é tênue. Para celebrar isso, eu baseei essas esculturas no belo mito de Eros e Psiquê."


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Antes de Partir

O empresário bilionário Edward Cole (JACK NICHOLSON) e o mecânico Carter Chambers (MORGAN FREEMAN) vivem em mundos opostos. Seus caminhos se cruzam quando eles dividem um quarto de hospital e descobrem ter duas coisas em comum: o desejo de passar o tempo de vida que lhes resta fazendo tudo o que sempre quiseram fazer antes de "baterem as botas", e a necessidade de aceitarem quem são.

Juntos, eles partem na viagem de suas vidas, tornando-se amigos ao longo do caminho e aprendendo a aproveitar a vida ao máximo, com inspiração e humor.
E assim eles vão cumprindo cada item da sua lista de desejos.



Há um livro do filólogo húngaro Karl Kerényi chamado "Dioniso: imagem arquetípica da vida indestrutível". O próprio título já denuncia Dioniso como um deus que representa o apego à vida. Isso é fácil de compreender se lembrarmos que ele é o mais humano de todos os deuses. Nascido de uma princesa, Dioniso viveu entre os mortais boa parte de sua juventude. Conviveu com a morte desde cedo, pois perdeu vários parentes amigos e amantes. Ele próprio viu-se por duas vezes nas garras às portas do mundo dos mortos: a primeira ainda sob a forma de Zagreu, quando foi devorado por Titãs, e a segunda quando sua mãe foi atingida por um raio de Zeus com Dionísio ainda em seu ventre. Ele não poderia ser outro, senão o deus que valoriza a vida e que vive ela em sua plenitude, justamente por entender o quanto ela é efêmera.

No filme, essa questão da efemeridade serve de ponto de partida pra uma jornada em busca da plenitude da vida. Quando os personagens recebem a notícia de que só têm, no máximo, um ano de vida, decidem fazer tudo aquilo que lhes faltava coragem, tempo ou disposição pra fazer. Uma espécie de saideira no grande bar da vida. Uma premissa bastante previsível até, mas que pode nos levar a interessantes reflexões sobre Dionísio.


Ambos foram aprisionados ainda muito jovens. Edward Cole, personagem de Jack Nicholson, comenta logo no começo do filme que "começou a ganhar dinheiro aos 16 e nunca mais parou". Ganhou uma fortuna e casou quatro vezes, mas se tornou um velho carrancudo que vivia unicamente para o trabalho. Carter Chambers, interpretado por Morgan Freeman, por outro lado, largou a faculdade depois que sua namorada engravidou. O filme deixa muito claro o potencial que ele tinha e que foi deixado de lado para que pudesse trabalhar em uma oficina mecânica a fim de sustentar a esposa e os três filhos. Um pelo trabalho, outro pela família, ambos viveram uma prisão sem grades por toda a vida (consultar textos de Alex Castro sobre as prisões). Nada mais natural que decidir enfiar o pé na jaca agora que eles não tinham nada a perder.

Nesse sentido, cada um oferece passa a oferecer aquilo que falta na vida do outro. Se tornam uma espécie de mentores nessa jornada dionisíaca de gozo da vida. Cole, extravagante, expansivo, exagerado e exaltado, representa a plenitude de possibilidades. Ele tem dinheiro suficiente pra fazer tudo o que der na telha. E o que são os deuses senão seres acima do mundo dos homens, capazes de fazerem o que bem entendem sem medirem as consequências? Já Chambers, sábio, tranquilo e espiritualizado, sabe valorizar as coisas simples da vida e oferece ao amigo uma compreensão mais ampla do universo. Ele degusta tudo que a vida oferece. E o que é a conexão com o divino senão um sentimento de profunda sintonia com tudo que nos cerca? Um representa o "tornar-se deus" (entusiasmo), enquanto o outro representa o "sair de si" (êxtase).

Citando a Wikipédia...

"Entusiasmo (do grego en + theos, literalmente 'em Deus') originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus. Atualmente, pode ser entendido como um estado de grande arrebatamento e alegria. Uma pessoa entusiasmada está disposta a enfrentar dificuldades e desafios, não se deixando abater e transmitindo confiança aos demais ao seu redor. O entusiasmo pode portanto ser considerado como um estado de espírito otimista."

"Êxtase, literalmente quer dizer arrebatar-se, desprender-se subitamente, sair de si, elevar-se (do grego ékstasis, pelo latim tardio ecstase, exstase), corresponde ao sentimento de prazer, expressão tanto utilizada para descrever o orgasmo como o transe, resultado da meditação, sendo que algumas religiões, a exemplo do yoga tântrico há relação do orgasmo com o êxtase religioso a ser aprendida. Referindo-se ao "transe" religioso pode ser também descrito como " consciência cósmica" (ampliada), "comunhão com a natureza"; "iluminação" e ainda vocábulos de religiões específicas como nirvana que, no budismo, significa paz, estado de ausência total de sofrimento.

Por se derivar de uma palavra grega (ékstasis) poderia se ter como padrão o transe profético e visões talvez causadas por inalações do vapor (etileno? ou dióxido de carbono de origem vulcânica?) respirado por Pítia a Sacerdotisa de Apolo do oráculo de Delfos ou e as experiências de possessão do culto de Dioniso e por extensão das religiões pagãs , utilizando a classificação católica que se distingue das não cristãs com seus transes associados ao jejum, orações, abstinência sexual e/ou auto-flagelação e exorcismos."


Não se trata de debater qual é melhor ou de escolher entre um e outro. Dioniso é deus do êxtase E do entusiasmo. As duas faces do deus são importantes formas de conexão com o divino. E o que é Dioniso se não o deus que permite a elevação do que é mortal à condição de divino, que torna humanos em Deuses? As duas são importantes pro exercício de uma vida plena, ou pelo menos plenamente dionisíaca. Então, meu amigo pacato, permita-se alguns excessos. E você, amigo empolgado, pare pra contemplar de vez em quando. A vida sob outro prisma pode ser transformadora.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça

O diretor Zé Celso Martinez participou de uma audiência nesta quarta-feira (5/11) onde se recusou a pagar uma multa imposta ao Teatro Oficina. A companhia está sendo acusada de “crime contra a paz pública” por conta de um trecho da peça Acordes encenado em novembro de 2012 na PUC-SP durante uma manifestação. Zé Celso considera a ação judicial "um ato contra a liberdade de expressão".



A cena em questão foi apresentada durante uma manifestação contra a indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era decapitado.

Os artistas se recusaram a pagar a multa de um salário mínimo sugerida pelo promotor, pois, para eles, aceitar o pagamento da multa implicaria em concordar que toda a arte possa ser criminalizada se alguém da plateia se sentir ofendido por algo dito em cena.

"O que eu ouvi do promotor é um crime contra a arte. Ele diz que nós nos escondemos na arte para dizer impropérios e incitar o crime contra a paz pública. Isso para mim é um crime contra a arte. A arte é livre!", disse o diretor em entrevista ao R7.

Estiveram presentes na audiência no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o diretor Zé Celso, a produtora do Teatro Oficina, Ana Rúbia, e os artistas Tony Reis e Mariano Mattos Martins. Durante os esclarecimentos, integrantes da companhia fizeram ato artístico pedindo por paz.



E aí? O que vocês acham? É censura? Os artistas pegaram pesado? Tem que pagar multa? A denúncia foi justa ou injusta?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O que fazer com uma mulher bêbada

Às vezes o destino coloca uma mulher bêbada na sua cama. Pode ser intencional ou por acaso, mas nem sempre a gente sabe como lidar. Assista o vídeo abaixo e aprenda o que fazer quando tem uma gatinha bêbada na sua cama.


Só não concordei com a última frase dele, mas ainda assim o vídeo é bem instrutivo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sobre Separar o Nordeste

Passadas as eleições, muito tem se falado sobre uma possível separação do país, mais especificamente, a separação da região nordeste. Não é uma conversa inédita. Tenho quase certeza de que vi coisa parecida após s eleições presidenciais anteriores.

A ideia é de que o PT recebe a maior parte de seus votos de regiões menos favorecidas por causa de políticas populistas e que esse tipo de investimento atrasa o desenvolvimento do país. O bode expiatório da vez são os nordestinos. E aí começam as agressões, o ódio, o preconceito e as ideias separatistas.

Hoje pipocou na minha timeline esse vídeo do músico Fabio Brazza, exaltando a relevância artística, histórica e cultural do nordeste. Vale a conferida pra rever os preconceitos.