domingo, 22 de março de 2020

7 Dicas dionisíacas para lidar com o confinamento

São tempos difíceis para todos nós. Seguem algumas dicas da Sociedade Dionisíaca para ajudar você a ficar em casa, cuidar da saúde e manter a estabilidade mental:
  1. Beba caipirinha
    Uma das versões diz que a caipirinha surgiu a partir de uma receita popular feita com limão, alho e mel, indicada para os doentes da gripe espanhola. Como era bastante comum colocar um pouquinho de álcool em todo remédio caseiro, a fim de acelerar o efeito terapêutico, a cachaça era sempre usada. "Até que, um dia, alguém resolveu tirar o alho e o mel. Depois, acrescentaram umas colheres de açúcar para adoçar a bebida. O gelo veio em seguida, para espantar o calor", explica Carlos Lima, diretor-executivo do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça).


    Vale lembrar que o limão é rico em vitamina C (que fortalece o sistema imunológico e ajuda na produção de glóbulos brancos) e a cachaça, além de acelerar o metabolismo, também pode conter compostos antioxidantes que favorecem os mecanismos de defesa do organismo quando passa por madeira. Se quiser ser muito precavido, recorra à receita original e inclua o alho, pois ajuda a combater vírus e estimular as funções respiratórias, e o mel, que também fortalece o sistema imunológico, é antioxidante e expectorante.

    Obs.: O consumo excessivo de álcool desidrata e prejudica a ação do sistema imunológico, portanto é recomendado beber ANTES de ficar doente, não depois, e sempre com moderação.
  2. Evite orgias
    Apesar de ser falsa a notícia de que um prefeito italiano proibiu orgias e gang bang sob pena de multa de até 5mil euros, ainda é importante manter uma distância mínima de outras pessoas para evitar a contaminação. Em caso de necessidade, dê preferência para fazer sexo com um número menor de pessoas e, de preferência, com quem você já tenha um convívio diário.

    Não há comprovação de que o vírus é transmissível através da relação sexual, mas ainda é importante evitar a troca de saliva e a proximidade com a respiração das outras pessoas, então escolha com sabedoria a posição do intercurso.
  3. Masturbe-se

    Os orgasmos aumentam os níveis de dopamina e ocitocina, componentes químicos que estimulam o sistema imunológico e o fortalecem o combate a ameaças externas, como vírus. Na Itália, o Pornhub liberou acesso premium grátis para ajudar as pessoas a ficarem em casa. Nos Estados Unidos, um sexshop focado em mulheres chamado Bellesa doou milhares de vibradores com o mesmo objetivo.
  4. Consuma  e produza arte
    Estudos mostram que envolver-se em qualquer processo criativo é importante para a saúde. Quer você faça um desenho simples ou uma colagem, olhe para a arte ou fale sobre ela, a criatividade e as artes podem ajudá-lo. O contato com a produção artística possibilita uma série de benefícios extremamente importantes nesse período de confinamento, tais como:

    - Expressar pensamentos e emoções que podem ser difíceis de serem ditos em palavras;
    - Diminuir o estresse e a ansiedade;
    - Relaxar, sentir-se mais calmo e mais feliz;
    - Conectar-se a si mesmo em um nível profundo, não importa o que esteja se passando;
    - Encontrar significado nas experiências de vida;
    - Lidar com a tristeza e a perda;
    - Formar novas conexões com outros (o que ajuda a aliviar a sensação de solidão e o isolamento);
    - Mudar seu foco para longe da dor ou pensamentos estressantes;
    - Criar algo único que lhe dê uma sensação de prazer e realização.

    Uma série de iniciativas têm surgido para disponibilizar conteúdo artístico de graça na internet, seja em forma de livros, filmes, peças, shows ou exposições. A Folha separou uma série de dicas que valem muito à pena e não param de surgir outras. Compartilhe sempre as que achar coisas interessantes.
  5. Coma bem
    Comer de forma saudável é uma ótima forma de manter o corpo funcionando bem. Cozinhar sua própria refeição também costuma ser mais barato que encomendar quentinhas todo dia ou investir em comida congelada, além de ser uma forma de se tratar bem e melhorar o bem estar.

    Aproveite o período de confinamento para descobrir receitas ou ingredientes novos e aprimorar suas habilidades culinárias. Se for encomendar algo, dê preferência aos pequenos estabelecimentos, que são os que mais sofrem nesse período de crise e busque comprar daqueles mais perto da sua casa pra evitar tempo de deslocamento do entregador e garantir que sobre tempo pra outras entregas. Não se esqueça de harmonizar sempre com um bom vinho.

     
  6. Falando em vinho...
    Vinho é sempre uma boa ideia. Além dos inúmeros benefícios para a saúde, ele vai te ajudar a relaxar em meio a esse clima esquisito que paira no ar. O vinho combina com comida, com obras de arte e com sexo! Quer coisa melhor? Se você mora no Rio de Janeiro, aproveite este período e encomende com o nosso parceiro, a Wine it! Eles possuem em seu catálogo excelentes vinhos brasileiros, para diferentes ocasiões e muitos deles com uma impressionante coleção de prêmios em concursos especializados.
  7. Estude
    Uma boa forma de manter a mente sã e sair desse período melhor do que entrou é estudar alguma coisa. Sabe aquele curso que você sempre quis fazer ou aquele livro que estava jogado na estante e você não leu porque não tinha tempo? Pois essa é a hora de investir em você mesmo e aprender algo novo. Talvez você consiga um emprego melhor, talvez você se torne melhor em algo que gosta, talvez você passe a conhecer mais sobre arte ou sobre vinho, talvez você possa ajudar seu filho com aquele problema de matemática. Conhecimento nunca é demais.

    Existem várias instituições que estão oferecendo cursos gratuitos online nesse período. USP, Harvard e Senai estão entre elas. Clique aqui e potencialize sua vida durante esse confinamento.

sábado, 16 de novembro de 2019

Satyromania

Nem lembro mais como, mas encontrei por acaso o trabalho deste cara e achei excelente. Mark Blanton se especializou em pinups, mas o que mais me agradou foram seus desenhos eróticos de sátiros e ninfas. Ele também ousa alguns desenhos de inspiração bíblica e um ou outro de contexto mais aleatório.


Eu já tinha visto um desenho dele sobre uma passagem da bíblia. Assim que bati o olho eu soube que se tratava da cena de sexo entre Ló e suas filhas. Li o texto e confirmei. Mas achei isso numa pesquisa do google (procurando algo completamente diferente), então nem dei bola. Dias depois, passeando por um site que já não lembro qual era, encontrei um desenho no mesmo estilo e fui investigar o autor. Achei o desenho que tinha visto antes e vários outros muito bons: conheçam o Satyromania.


Além da qualidade técnica dos desenhos que muito me agrada, rolou uma óbvia identificação com a idéea que permeia os trabalhos. Pra mim parece muito óbvio que ele é um artista verdadeiramente inspirado por Dionísio.



São vários os desenhos de cenas de sexo entre sátiros e mulheres, que eu imagino serem ninfas. Ambas criaturas que fazem parte do cortejo dionisíaco. Em várias dessas ilustrações, o sexo é acompanhado de um bom vinho (inclusive a supracitada cena de Ló). Fora isso, outras cenas mitológicas fazem parte do acervo, como Zeus em forma de cisne transando com uma mortal ou uma suruba que conta com a participação de um minotauro.


E tem que ter sido um sinal ele ter ilustrado justamente uma de minhas passagens favoritas na bíblia: Eva prestes a comer o fruto proibido (sobre a qual eu já falei aqui). Essas imagens ele hospedou no site chamado satyromania, algo que me lembrou muito o dia da heresia que fazemos aqui na Sociedade Dionisíaca aos domingos.


Mas o que me chama a atenção é a expressão facial dos personagens: ou eles transam rindo ou com muito tesão. Tesão de verdade, e não como aqueles de hentai ou afins. Às vezes ele consegue misturar as duas coisas, transformando a cena de sexo numa gostosa brincadeira, como faziam (e devem fazer) os seguidores de Dioniso.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nossa Senhora dos Desejos

Esta oração foi criada por um grupo feminista boliviano chamado Mujeres Creando. Minha amiga recebeu em forma daqueles cartõezinhos de santos em uma exposição em Madri.
"Não quero observar a vida de cima de um altar."

Virgen de los Deseos,
Virgen de lo prohibido,
Virgen de la locura,
Virgen que cura toda amargura

Estamos bajo tu manto,
hermanadas y revueltas,
indias, putas y lesbianas,
blancas, negras y mulatas

Somos todas bastardas
Somos todas hermanas
Todas sin padre
Todas hijas de una misma madre

Virgen milagrosa, fraganciosa y pecaminosa
Tienes para tus pecados un altar distinto en cada uno de nuestros cuerpos,
un perfume distinto fabricado con cada uno de nuestros sudores,
un aura distinta con cada uno de nuestros alientos,
un canto distinto con cada uno de nuestros gemidos
Virgen protectora de deseos y de luchas,
de esperanzas y de sueños
Líbranos de racistas, homofóbicos, corruptos,
machistas, colonialistas y explotadores

Avísanos cuando vengan
Ocúltanos cuando nos busquen
Confúndelos cuando nos encuentren
Sujeta sus manos cuando nos golpeen
Detén sus movimientos cuando nos violen

Virgen de los Deseos
Odiada por predicadores, curas y obispos,
que juzgan y condenan a las mujeres a la
obediencia y la sumisión

Virgen de los Deseos
Omitida de las teologías,
censurada por los evangelios y prohibida en las prédicas
Virgen peligrosa
Virgen subversiva para todas las iglesias y todas las religiones
Virgen inquietante para todos los fanatismos
y perseguida por todos los fundamentalismos

Virgen de los Deseos
Sembradora de rebeldía
que con tu mano santa despiertas la palabra en las mujeres mudas,
la alegría en las mujeres tristes
y la rebelión en las mujeres sometidas

Virgen de los Deseos
Esclarecedora de todas nuestras dudas
Delatora de los dioses que quieren imponernos,
de los mandatos con que quieren atarnos,
de los miedos con que quieren sujetarnos.

Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a leer y escribir
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a amar y conocer nuestro cuerpo

Virgen que te encarnas en las cocineras del banquete de la vida
En las que siembran y cosechan frutas y verduras
En las que amasan pan y hacen queso

Virgen que te encarnas en las parteras
Virgen que te encarnas en las aborteras
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a creer en nosotras mismas
y amar lo que somos

Virgen de los Deseos que eres puro deseo,
pura libertad y pura esperanza
Has que nunca muera en mí el deseo de ser feliz

Has que no me olvide, ni ninguna de mis hermanas,
ni viejas, ni jóvenes, ni pequeñas,
del deseo de buscar libertad, felicidad y dignidad

Aquí, abajo, ahora y en la tierra por siempre

Amen

Clique abaixo para ver a tradução.




Virgem dos Desejos,
Virgem do proibido,
Virgem da loucura,
Virgem que cura toda amargura

Estamos sob teu manto,
irmanadas e revoltadas,
índias, putas e lésbicas,
brancas, negras e mulatas

Somos todas bastardas
Somos todas irmãs
Todas sem pai
Todas filhas de uma mesma mãe

Virgem milagrosa, fragranciosa e pecaminosa
Tens para teus pecados um altar distinto em cada um de nossos corpos,
um perfume distindo fabricado com cada um de nossos suores,
uma aura distinta com cada um de nossos alentos,
um canto distinto com cada um de nossos gemidos
Virgem protetora de desejos e de lutas,
de esperanças e de sonhos
Livra-nos de racistas, corruptos,
machistas, colonizadores e exploradores

Avisa- nos quando vierem
Oculta-nos quando nos buscarem
Confunda-os quando nos encontrarem
Agarre suas mãos quando nos golpearem
Detenha seus movimentos quando nos violarem

Virgem dos Desejos
Odiada por pregadores, padres e bispos,
que julgam e condenam as mulheres
à obediência e à submissão

Virgem dos Desejos
Omitida das teologias,
censurada pelos evangelhos e proibida nos sermões
Virgem perigosa
Virgem subversiva para todas as igrejas e todas as religiões
Virgem inquietante para todos os fanatismos
e perseguida por todos os fundamentalismos

Virgem dos Desejos
Semeadora de rebeldia
que com tua mão santa despertas
a palavra das mulheres mudas,
a alegria nas mulheres tristes
e a rebelião nas mulheres submissas

Virgem dos Desejos
Esclarecedora de todas nossas dúvidas
Delatora dos deuses que nos querem impor,
dos mandatos que nos querem atar,
dos medos que querem nos sujeitar.

Virgem que te encarnas nas que nos ensinam a ler e a escrever
Virgem que te encarnas nas que ensinam a amar e conhecer nosso corpo

Virgem que te encarnas nas cozinheiras do banquete da vida
Nas que semeiam e colhem frutas e verduras
Nas que amassam pão e fazem queijo

Virgem que te encarnas nas parteiras
Virgem que te encarnas nas aborteiras
Virgem que te encarnas nas que nos ensinam a acreditar em nós mesmas
e a amar o que somos

Virgem dos Desejos que és puro desejo,
pura liberdade e pura esperança
Faça com que nunca morra em mim o desejo de ser feliz

Faça com que eu nunca me esqueça, nem nenhuma de minhas irmãs,
nem velhas, nem jovens, nem pequenas,
do desejo de buscar liberdade, felicidade e dignidade

Aqui, abaixo, agora e na terra para sempre

Amém  

Sugestão e tradução de Carol Kauer.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Palhaço Piolim e o Dia do Circo

Hoje se comemora no brasil o Dia do Circo em homenagem ao grande artista circense conhecido como o Palhaço Piolim. Nascido em 27 de março de 1897, na cidade de Ribeirão Preto, Abelardo Pinto iniciou sua carreira no circo ainda criança e conquistou o mundo. Seu apelido, que se refere a um tipo de barbante, é devido à sua estrutura física: magro e de pernas compridas.


Filho de artistas circenses, seu treinamento teve início muito cedo, e aprendeu as modalidades de ciclista, saltador, casaca de ferro, acrobata e contorcionista, tendo se destacado nesta última, além de tocar violino e bandolim. Aos sete anos de idade apresentava-se no circo de seu pai como “o menor contorcionista do mundo”. Revelou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que seu sonho era ser engenheiro: queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente. “Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”

Em seus textos de cena, revelava ao público os traços de sua cultura e seus costumes do cotidiano. Satirizava os conceitos sociais impregnados na vida das pessoas. Contribuiu muito para o desenvolvimento intelectual e artístico de milhares de crianças e adultos brasileiros. O Imperador do Riso, como também era conhecido, incorporava em suas cenas piadas baseadas em circunstancias da vida do homem comum. Encenava os sofrimentos dos homens, de maneira global, satirizando as máscaras sociais menos favorecidas (mendigos, bêbados, etc.).

Arrastou para as arquibancadas do Circo Alcebíades toda a geração da Semana de Arte Moderna de 22: Antônio de Alcântara Machado, Guilherme de Almeida, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Tarsila do Amaral e Mário de Andrade, entre outros. Ele era o personagem urbano e cosmopolita capaz de guardar em sua expressão corporal a alma brasileira, como buscavam os modernistas. Como escreveu Cândido Motta Filho em Piolin e o circo de cavalinhos em dias lidos e vividos:

"Essa descoberta foi sensacional, mormente porque se tornou o instrumento mais vivo, mais expressivo de nosso protesto. A arte, para o gosto requintado, para um público seleto, era artificial e decadente. O circo era a arte voltando à sua essência(...)"

Oswald de Andrade escreveu a esquete Piolin, professor de clarinete, e retirou do palhaço referências para elaborar o personagem principal da sua peça O Rei da Vela, também chamado Abelardo. Transformou o excêntrico no principal personagem do seu projeto antropofágico ao promover, em 29 de março de 1929, um banquete em que Piolin foi devorado pelos intelectuais.

Participou ainda do drama musical chamado Tico-tico no Fubá, dirigido pelo italiano Adolfo Celi em 1952 e que conta a biografia romanceada do compositor Zequinha de Abreu, autor do da música de mesmo nome do filme, imortalizada na voz de Carmen Miranda. Também estrelou em um programa de televisão no horário nobre da extinta TV Excelsior em 1960.

Pelo seu caráter de líder e artista, junto à associação do circo da qual foi um dos incentivadores, instaurou práticas de luta pela manutenção e perpetuação da linguagem circense, chegando a ser exemplo para toda a comunidade circense, através da sistematização de suas técnicas, servindo de parâmetro para novos aprendizes até hoje.

Para conhecer mais sobre Piolin, confira o documentário abaixo, produzido por Walter de Sousa Júnior como parte de sua pesquisa de pós-doutorado pela Escola de Comunicação e Artes.



A este palhaço memorável, o Imperador do Riso, e a todos os artistas circenses que constroem castelos de sonhos e nos inspiram a ver magia onde o mundo cotidiano nos tira o tesão, evoé!

segunda-feira, 18 de março de 2019

As Máscaras Sociais

Todos usamos máscaras em praticamente todos os momentos de nossas vidas, não só no carnaval. Algumas são usadas por vontade própria, outras por cobranças da sociedade. O pai autoritário, a moça recatada, o profissional responsável, a jovem descolada, o cara pegador, a mulher moderna, o machão agressivo, a pessoa bem resolvida, e por aí vai... As possibilidades são infinitas e cada um desses personagens revela um pouquinho da nossa personalidade. Não se pode interpretar, senão a partir de algo que existe em você.



Não devemos, portanto, entender necessariamente essas máscaras como uma forma de falsidade, mas como um mecanismo social que é importantíssimo para estabelecermos todas as nossas relações. Em cada cenário da vida possuímos diferentes papéis e é necessário se adaptar às diferentes situações para desempenhá-los com eficiência. Vários dos personagens citados no parágrafo anterior podem coexistir em uma mesma pessoa e é positivo que assim o seja. O profissional responsável precisa ser equilibrado por uma personalidade adequada em momentos de descontração, porém muitas vezes não cabe adotar esse mesmo comportamento em ambientes em que se espera uma postura mais séria. Tudo vai depender da vida que você leva e das relações que você estabelece.

A lógica das máscaras abre margem, no entanto, para um aspecto bem nefasto da interpretação de personagens: a hipocrisia. O termo tem origem no teatro grego e significa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência, sendo usado atualmente para designar alguém que emula comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.



Para o linguista e analista social Noam Chomsky, a hipocrisia, é definida como a recusa de "... aplicar a nós mesmos os mesmos valores que se aplicam a outros", é um dos males da nossa sociedade, que promove a injustiça como guerra e as desigualdades sociais, num quadro de auto-engano, que inclui a noção de que a hipocrisia em si é um comportamento necessário ou benéfico humano e da sociedade.

Agora que o carnaval passou, cuidado com as máscaras daqueles ao seu redor. Usem as suas com sabedoria e sempre para o bem, nunca para o mal.


Para saber mais sobre a teoria junguiana das máscaras, recomendo o texto do site Pensamento Líquido. Ou, se preferir, dê o play no vídeo abaixo, da psicóloga Araiê Berger.

sexta-feira, 15 de março de 2019

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Dia Nacional do Naturismo

Hoje, dia 21 de fevereiro, comemora-se o Dia Nacional do Naturismo, em homenagem ao nascimento da dançarina, naturista, atriz, escritora e feminista brasileira Luz Del Fuego (nascida Dora Viváqua em 1917). Destacou-se como pioneira na implementação do naturismo no Brasil, tendo sido a fundadora do primeiro reduto naturista da América Latina. É também reconhecida por sua contribuição na luta pela emancipação das mulheres.

Dora pertencia a uma família de intelectuais e políticos, que realizava em sua residência reuniões literárias com a presença de relevantes personalidades do modernismo brasileiro, como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava. Bacharelada em Ciências e Letras, optou por seguir a carreira artística em meados de 1942. Estreou nos teatros de revista do Rio de Janeiro dois anos mais tarde sob o pseudônimo Luz del Fuego, com espetáculos de dança em que aparecia com um casal de cobras enrolado em seu corpo quase sempre nu. As apresentações da moça logo provocaram furor por todo o país e transformaram-na em uma das principais atrações do teatro nacional. Embora repudiada pelos mais conservadores, que a consideravam "uma ameaça aos bons costumes", Luz del Fuego atraía enorme público para os seus espetáculos e tornou-se uma das vedetes mais conhecidas dos anos 50 no Brasil.

No final dos anos 40, começou a expor os seus ideais existencialistas, naturistas, em defesa dos direitos da mulher e da liberdade de expressão, e em combate aos preconceitos sociais. Escreveu dois livros, em um dos quais lançava a teorização do movimento naturista brasileiro e, como resultado, viu-o ser banido das livrarias.

Em um trecho de seu livro "A Verdade Nua", publicado em 1948, defendia o nudismo das acusações de imoralidade:

"Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder."

Fundou em 1949 o Partido Naturista Brasileiro, cujo slogan era "Menos roupa e mais pão! Nossa lema é ação!", mas foi impedida de registrá-lo por seu irmão, que destruiu a documentação com mais de 50 mil assinaturas.

Em 1951, fundou Naturalismo, a primeira revista do país a exibir genitálias em suas publicações. Em 1953, um grupo católico de Juiz de Fora, liderado pelo bispo Dom Justino José de Sant'Ana, da arquidiocese local, conseguiu fazer com que as autoridades não a permitissem apresentar-se no município.



A atriz obteve uma autorização da Marinha do Brasil para viver na ilha Tapuama de Dentro, que possui mais de oito mil metros quadrados, e a rebatizou de Ilha do Sol. Lá, fundou o Clube Naturalista Brasileiro, em 1951, o primeiro do gênero na América Latina.

Luz del Fuego foi assassinada, juntamente com o seu caseiro, por dois pescadores na Ilha do Sol, em 19 de julho de 1967. Sua história foi tema do documentário A Nativa Solitária, de 1954, recuperado pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), de cujo acervo faz parte, bem como de um filme que leva o seu nome lançado em 1982 com Lucélia Santos no papel da musa e direção de David Neves. Em 2010, Luz del Fuego foi incluída na lista "Musas que fizeram a história do Rio", elaborada pelo portal G1.



Recomendo fortemente a leitura do artigo da assistente social Dalva Day em seu blog.