terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Que vinho eu compro?

Ontem uma amiga veio me pedir dica de vinho para acompanhar uma massa. Dei a ela a única resposta honesta que se pode dar a esse tipo de pergunta: depende. Depende de um monte de coisas. No caso dela, era um jantar romântico, com massa ao molho bolonhesa.


Quando se trata da escolha de um vinho, existe uma série de fatores que devem ser considerados. Não espere uma resposta simples. É como escolher um celular: você precisa pensar no uso que fará dele, quanta memória será necessária, se é preciso uma câmera boa, se prefere teclado na tela ou daqueles teclados físicos, pesar a qualidade gráfica, pensar no tamanho da tela e, por fim, escolher o modelo mais bonitinho e dentro do seu orçamento.

Com vinhos é a mesma coisa. TUDO influencia a apreciação da bebida. E como é uma bebida em que a beleza reside nas sutilezas, é bom levar em conta essas influências na hora de fazer sua escolha. Vejamos o que é preciso considerar:

Quem vai beber?
Todo mundo sabe que gosto é que nem cu. Não espere que o meu vinho favorito seja mesmo que o seu. Alguns paladares pedem vinhos mais encorpados, outros pedem vinhos mais leves. Conhecer o gosto da pessoa é um adianto.

Qual a previsão do tempo?
Se preocupar com a previsão do tempo pode ser um pouco exagerado, mas vinho e temperatura precisam estar em harmonia. Vinhos brancos devem ser bebidos preferencialmente entre 14 e 16º e vinhos tintos por volta dos 18º. Então eu sugiro que reserve os tintos para os dias mais frios e beba um branco ou um espumante bem gelado nos dias quentes.

Quanto você quer gastar?
Como quase tudo nesse nosso mundinho capitalista tão amado, o valor do vinho costuma estar ligado à sua qualidade. Existem exceções, é claro, mas não espere comprar um pérgola por 14 reais e ter o mesmo prazer de um amarone comprado por 200. Contudo, existem sim bons vinhos na faixa dos 30 reais, às vezes até menos. Depende de onde se compre.

Onde você vai comprar?
Diferente das cervejas mais populares, nem todo vinho se encontra em toda parte. Não adianta alguém te recomendar um vinho específico se o mercado em que você vai dificilmente vai ter esse vinho em estoque. Costumamos recomendar vinhos pela uva (que indica algumas características) e pelo país (que costuma ser um indicador de estilo), mas nem isso é garantia de precisão. Um mesmo país pode ter vinhos muito diferentes, mesmo que sejam feitos com o mesmo tipo de uva.

Existem também as lojas especializadas. Sai mais em conta e os funcionários costumam levar tudo que eu tô dizendo aqui na hora de te recomendar um vinho, te poupando um baita trabalho. Pra quem é do Rio, recomendo a Serrado, que é parceira da SD.

Qual a ocasião?
Um jantar romântico? Uma degustação informal com os amigos pra conhecer vinhos novos? Um vinho para acompanhar uma sessão de filmes? Uma tarde na piscina? Isso vai fazer diferença não só no tipo de vinho, mas no valor a ser investido.

As regras acima não valem sempre, mas facilitam muito a nossa vida.
E a harmonização?
Não sei se esse seria o último fator a ser considerado, nem sei se existe uma ordem pra isso. Mas é importantíssimo escolher o vinho certo para cada prato. Certos vinhos desaparecem e outros fazem a comida desaparecer. O ideal é que um ressalte características do outro, formando um novo e mágico terceiro sabor. Pra isso existem algumas regrinhas...

A regra de ouro é vinhos leves para pratos de sabor leve e vinhos complexos para pratos de sabor mais intenso, mas isso não basta e mesmo essa regra não vale sempre. Esse é um assunto complexo demais pra um post que já extrapolou o tamanho ideal (a imagem no começo do post ajuda). Vou linkar aqui os sites que eu encontrei ao tentar ajudar minha amiga.

http://www.academiadovinho.com.br/convivio/harmoniz.htm
http://www.hagah.com.br/especial/rs/gastronomia-rs/19,980,3286719,Guia-dos-vinhos-para-iniciantes-o-que-voce-precisa-saber-para-degustar-e-entender.html
http://www.lavioletera.com.br/blog/o-vinho-ideal-para-a-sua-massa/

Depois de considerar tooooodos esses fatores, eu recomendei que a minha amiga comprasse um vínho de corpo médio, tendendo pra algo mais complexo. Sugeri um cabernet sauvignon, merlot ou malbec, de preferência da Argentina ou do Chile. São fáceis de se achar, baratos e costumam atender às características desejadas. Ela acabou comprando um Concha Y Toro Reservado Cabernet Sauvignon. Eis o que ela me disse hoje a respeito do jantar:

"legal... minha massa ficou ótima e o vinho combinou perfeitamente (...) a conversa que tivemos é que não foi boa.. mas enfim..deixa isso pra lá"

Só espero que não tenha sido culpa do vinho.

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