sábado, 28 de setembro de 2013

Dois mais Dois

Aluguei o filme sem muita pretensão. Há muito tempo já flertava com ele na prateleira de lançamentos da locadora, mas minha pouca fé me fazia desistir em função de algum que me parecesse uma fonte de diversão mais garantida. Grande engano. Bastaria uma breve pesquisa na internet pra ler coisas positivas, como o fato de ter sido um dos maiores sucesso da Argentina em 2012.

Meu interesse no filme era óbvio. A capa tinha dois casais nus deitados numa cama, deixando pouca dúvida de que se tratava de um filme sobre swing. Minha curiosidade era ver como o tema seria abordado, por isso dei pouca importância pra crítica, diretor, atores, país… Eis a sinopse:

Aos 40 anos de idade, o casal Diego (Adrián Suar) e Emilia (Julieta Díaz) está bem estabelecido, com sucesso no trabalho e com um filho de 14 anos. Eles conhecem Richard (Juan Minujín) e Betina (Carla Peterson) desde crianças, mas este outro casal tem um estilo de vida muito diferente, preferindo a diversão. Um dia, Richard e Betina confessam a Diego e Emilia que praticam a troca de casais, e confessam que gostariam de experimentar o swing com eles. A proposta alimenta as fantasias eróticas de Emilia, mas não será fácil convencer Diego a entrar no jogo.

O saldo foi bem positivo. É um filme leve e divertido, com um estilo que eu, dentro da minha ignorância, só consigo definir como “uma pegada bem argentina”. Mas o interessante mesmo é a forma como ele retrata o meio liberal. Não vi hipocrisia, não vi preconceito e mesmo os personagens mais caricatos foram extremamente realistas. Quem é do meio vai saber identificar as semelhanças.

É bacana ver o casal amigo que pratica e ninguém suspeita (afinal, praticar swing não tem efeitos colaterais na sua relação com família, amigos ou trabalho) tratando tudo com naturalidade. É divertido se identificar com o receio e a curiosidade de quem se depara com esse universo pela primeira vez. É lindo ver o casal superando o ciúme e tendo sua relação fortalecida depois desse tipo de experiência. E é particularmente engraçado ver o fulano que acha tudo muito natural e fala da sua intimidade como se nenhuma informação fosse inconveniente.

Mas vi no filme um ponto que vivo falando com meus amigos e que merece uma reflexão: a forma incisiva que aqueles que já estão no meio tentam introduzir os novatos. Existe toda uma propaganda de respeito e de compreensão no meio liberal – com a qual eu corroboro – que, infelizmente, nem sempre funciona na prática. A ideia de que o “não” é mais respeitado faz muito sentido, afinal é um tipo de ambiente em que a maioria vai disposta a fazer de tudo e não sobra muito espaço pra cu docismo ou insistência. A verdade, porém, é que muitos frequentadores tomam o seu ponto de vista como o ponto de vista do outro e acabam sendo muito incisivos nas abordagens. É compreensível que eles se acostumem com uma sexualidade mais objetiva e percam o tato com o outro num momento de bebedeira. Mas é o tipo de atitude que não se nota a não ser que alguém avise. Acho que o filme mostra bem isso.

Para além dessa oportunidade de reflexão, recomendo bastante o filme pra qualquer um que tenha curiosidade, cogite ou já frequente o meio liberal. É uma boa amostra dos personagens, das situações e dos conflitos que fazem parte do pacote. Só achei meio errado um filme sobre sexo não mostrar nenhum peitinho.

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