quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sociedade Epicuréia

Uma amiga acaba de me passar um link que me deixou abismado. Parece que a Sociedade Dionisíaca já existiu, no século XIX. Além da filosofia por trás da parada, até a porra do nome é parecido: Sociedade Epicuréia. Entre seus ilustres fundadores estava ninguém menos que Álvares de Azevedo!

Confiram o texto abaixo retirado do site Alameda Virtual. Qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência.

A Sociedade Epicuréia foi criada durante a 2ª fase do Romantismo no Brasil (1850-1860), considerada um grupo para reuniões entre os poetas da época. Sendo um verdadeiro ponto de encontro para os jovens estudantes, a sociedade não prezava apenas a velha e boa arte literária, mas também cultivava outros hábitos entre seus membros.

O termo Epicuréia provém do nome Epícuro, um grande filosofo grego que tinha como principal teoria a defesa dos prazeres terrenos e do materialismo. Assim, a sociedade era considerada um grupo para a prática de orgias, culto ao macabro e representava o point das noites boemias do mal do século. Em geral, os poetas se reuniam para beber conhaque, fumar charutos e, quem sabe, falar sobre literatura.

A fundação da Sociedade Epicuréia aconteceu em meados do século XIX na cidade de São Paulo. Jovens de todos os cantos do Brasil chegavam à capital para estudar da Faculdade de Direito São Francisco. Ao longo do curso, os estudantes permaneciam instalados em repúblicas e possuíam uma vida noturna bem agitada.

Os boêmios universitários tinham hábitos bem fora do comum, como os passeios noturnos pelos cemitérios. Cerimônias macabras regadas a muita bebida alcoólica e tabaco também embalavam a vida dos jovens. A Sociedade Epicuréia contava com a presença de prostitutas, que participavam de ritos nas necrópoles paulistas.

Os fundadores da sociedade foram Bernardo Guimarães e Álvares de Azevedo, dois grandes nomes do Romantismo no Brasil. Foi durante a manifestação do mal do século que o sentimento de pessimismo predominou sobre a produção lírica, em especial quando se diz respeito aos textos de Álvares de Azevedo.

Os encontros da Epicuréia eram marcados pelo culto à noite, onde os aspectos mórbidos da existência eram abordados nas poesias. Dessa forma, os jovens estudantes de Direito se submetiam a evasão da realidade, optando pelo sonho, loucura ou até mesmo a morte. Para o membro da Sociedade, o óbito não representava uma fatalidade, mas sim uma chance de acabar com o tédio da vida, com as limitações terrenas.


Os membros da sociedade costumavam ler romances de Lord Byron, um hábito que influenciou na criação literária estudantil da época. O egocentrismo era um aspecto presente em todas as poesias escritas durante o mal do século, aliado aos sentimentos de saudade, tédio e tristeza. Para romper com os dilúvios, era necessário viver os prazeres da vida boemia.

Álvares de Azevedo foi fruto da Epicuréia, afinal, ele desenvolveu o seu estilo entrando em contato com a filosofia da sociedade. O poeta tinha uma personalidade introspectiva, mas uma inteligência incomparável. Muitos universitários seguiram a linha de Álvares de Azevedo, aproveitando as noites sem se preocupar com a saúde ou com a realidade da burguesia da época. Assim, muitos membros da Epicuréia acabaram morrendo jovens, vítimas de tuberculose. Até Álvares de Azevedo tinha o curioso costume de anotar os nomes dos colegas que faleciam nas paredes da Faculdade de Direito.

Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e até Castro Alves foram alguns dos grandes nomes da Literatura Brasileira que participaram da Sociedade Epicuréia.

Quem quiser ler mais sobre Epícuro e sobre a Sociedade pode dar uma conferida neste outro link.

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