terça-feira, 9 de agosto de 2011

Bom exemplo na noite

Eis o cenário: um reduto de barzinhos em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Maioria de jovens de classe média ou média alta, e muitos alternativinhos. O relógio marca 23h e, no centro do palco, um grupo de 3 garotas e 2 garotos tem uma conversa animada.


A certa altura, uma das garotas vai ao banheiro e os dois casais que sobram resolvem se beijar. Menino A beija Menina 1 enquanto Menino B beija Menina 2. Aí a Menina 3 volta do banheiro e beija a Menina 2. A Menina 1 vai embora e ficam o Menino A beijando a Menina 2 enquanto o Menino B beija a Menina 3. Depois eles trocam e o Menino A beija a Menina 3 enquanto o Menino B beija a Menina 2 de novo. E de tempos em tempos a Menina 2 beija o Menino B, depois a Menina 3 e termina beijando o Menino A.

Vendo todo esse swing osculatório, as pessoas ao redor ficam chocadas. Olham com cara de espanto, apontam e cochicham. Eu, claro, estava admirando muito a situação. Das pessoas ao redor, metade já tinha feito algo parecido em alguma boate após beber além da conta, a outra metade com certeza gostaria de fazer isso algum dia. E, se pararmos pra pensar, qual é a grande diferença entre ficar com pessoas diferentes em um mês, num fim de semana, numa micareta ou numa mesa de bar?! Então por que diabos aquele olhar de reprovação? Por ser aos olhos de todos?

Ouvi uma das garotas comentando que não ligava pro que os outros pensavam. Pensamento que, sem dúvida merece o meu respeito, mas minha admiração é por um motivo mais importante. Eles estavam fazendo, pra quem quisesse ver, o que quase todos ali já tinham feito ou gostariam de fazer. E o que eles tinham vontade de fazer também. São pessoas assim que expandem os limites da nossa sociedade.

Como não admirar o primeiro casal gay a andar de mãos dadas na rua? Como não admirar o primeiro casal a admitir que pratica swing? Como não admirar o primeiro branco a assumir seu amor por uma negra? Como não admirar a primeira mulher a sentar num boteco e beber cerveja? Como não admirar o primeiro grupo a se pegar sem barreiras?

Ainda ouvi uma das meninas dizendo "vocês não têm idéia do quanto eu tô curtindo essa noite, porque eu finalmente tô sendo eu mesma"! Fiquei emocionado.

O mundo precisa de bons exemplos como esse.

2 comentários:

  1. Tirando o fato de eu ter me perdido no meio do terceiro paragrafo e não saber mais onde estava cada boca, parabéns a eles. Realmente precisamos de bons exemplos.

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  2. isso me parece mto familiar....
    amei o texto.

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