sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vila Mimosa: Os Bastidores do Maior Prostíbulo do Brasil - Parte II

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Sempre que escrevo sobre um assunto aqui na SD, falo "isso é assunto para outro post", "depois falo mais sobre isso"... Chegou a hora de falar sobre assuntos pendentes.

Vou continuar hoje o post Vila Mimosa: Os Bastidores do Maior Prostíbulo do Brasil. Neste segundo post, vou abordar o lado humano das prostitutas que lá trabalham.

A primeira pergunta que vem à cabeça de muita gente: Por que não ser, digamos, professora em vez de ser prostituta?

Vou tentar responder essa pergunta dividindo as prostitutas em 3 tipos: O ciclo, Por um bem maior e Por gosto.

O Ciclo
Percebi que a maioria não teve esse dilema pelo simples fato de parecer não haver opções. Explico melhor: boa parte delas vive em uma rua localizada atrás da Vila Mimosa, ou seja, o mundo dela é bem restrito àquilo ali. Ou seja, o ciclo tende a se perpetuar: mãe, filha, neta, tendem a ser prostitutas.... Atribuo isso à falta de instrução.

Alguns irão perguntar: Por que ela não trabalha em um Mc Donalds, ou em um mercado?

Bem, um salário mínimo com carga horaria de 9 hs por dia + 26 dias de trabalho por mês + extras não é bem o que podemos chamar de "dá pra viver".

Elas aprendem a conviver naturalmente com o conceito de imoral que a sociedade impõe à profissão delas, pois na "sociedade", ou ciclo social, em que elas vivem isso é tratado com naturalidade. Isso até certo ponto é um avanço no pensamento humano. Imagine um mundo onde a repressão sexual fosse extinta? Seria um mundo bem melhor, concorda?

Voltando ao assunto, por que o ciclo tende a se perpetuar?

Quando não estou lá dentro tomando umas e outras (todas, para falar a verdade) costumo beber umas cervejas em um bar que fica nesta tal rua onde boa parte delas mora. E como não poderia ser diferente, costumo ir lá a noite, tipo 21, 22 horas. O que se encontra na rua? Bebados e drogados? Não!

Crianças! Sim, um monte de crianças na faixa de 5 a 13 anos brincando como nós brincávamos na rua. A única diferença é o horário.

Ou seja, a mãe trabalha vamos supor, de 23hs às 7 hs , chega em casa exausta descansa, come, e dorme até as 5 da tarde. Como o(s) filho(s) dela vão para o colégio?

- O pai, ora bolas!


Pai? Acho que isso deve ser uma raridade, tipo, 1 a cada 40 deve ter um.

Sem estudo/instrução, a criança tende a seguir o caminho da mãe, e assim continua o ciclo.

Isso é uma conclusão que tiro pelas minha andanças por lá e pela conversa com as protagonistas.

Por um bem maior
Outro cenário que vejo lá é a "Prostituição por um bem maior", ou seja, entra para se manter e tentar conseguir algo melhor no futuro.

Certa vez, estava conversando com a Bruna (nome fictício) e ela contava sobre como era a vida dela e tal. Isso sem nenhum intuito sexual (infelizmente, pois ela era um pitchuquinha! lol), não estava contratando seus serviços. Por isso deduzo que seja verdade.

Ela me disse que trabalhava numa conhecida rede de atacado aqui do RJ e fazia faculdade de hotelaria e, de vez em quando, fazia programa para conseguir pagar a faculdade/aluguel. Só a vi umas 2 vezes, mas espero que tenha conseguido alcançar seu objetivo.

Esse cenário não é tão raro por lá não. Realmente existem as "garotas que se prostituem para fazer faculdade". Não é um mito, acredite.

Último cenário...
Prostituição por gosto
Sim, algumas trabalham lá pelo simples fato de gostarem de sexo. Uma vez conversei com uma que dizia que falava para o marido que ia para casa de uma prima, mas na verdade vai lá para a VM se divertir. Ou seja, ganha e ainda se diverte.

Penso que esse seria um mundo ideal. Muitos dizem que se o capitalismo acabar, a prostituição acaba junto. Eu discordo pois acho que em um mundo mais liberal existiria lugares para pessoas transarem com as outras e ponto. Sem pudor, sem dinheiro...

Concluindo... Pela minha pesquisa lá, devem existir uns 70% de prostitutas pelo "ciclo", 25% por um "bem maior" e 5 % por que meu nome é Valeska e o apelido é Quero Dar da da da da da da da da.

Agora só falta 1 episódio para fechar a série. Eu gostaria de fazer uma série de perguntas para uma prostituta e gostaria que vocês a fizessem. Alguma curiosidade, alguma dúvida… qualquer coisa.

Tudo que você quer saber de uma prostitituta mas tinha medo de perguntar

4 comentários:

  1. Ha, adorei o nome do proximo post.

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  2. O bom jornalista nunca para de apurar.

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  3. A.D.O.R.E.I, Tom!!! \o/
    Eu queria fazer amizade com uma GP... =)
    Vou pensar em perguntas! Deixa aqui nos comentários mesmo?
    Bjo!

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  4. eu como sempre continuo fazendo um jornalismo sério que atravessa os ânus .

    Como muita gente, alias ...

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