segunda-feira, 20 de junho de 2011

Artista de 4 anos vende quadros a US$ 10 mil em Nova York


Resumindo a história: a menina de 4 anos faz uns quadros doidos, fechou uma exposição só pra ela e vende quadros a quase 10 mil dólares cada!

Confesso que tenho sérias dificuldades para aceitar que uma criança de 4 anos, que mal pode falar, possa ter um pensamento artístico. Ela simplesmente brinca com tinta e outros materiais e tem pais seqüelados e bem relacionados o bastante pra que essas colagens dela ganhem algum crédito em meio aos críticos. As pessoas ainda seguem e (provavelmente) sempre vão seguir a opinião dos chamados "especialistas"... Como ovelhas guiadas por um pastor...

Deixando a revolta de lado, porém, tenho que admitir que o parágrafo acima está carregado de preconceito. Não entendo de cores, composição e textura além do básico que aprendi em algumas aulas da faculdade, mas o que a diretora da galeria fala parece fazer sentido. Os quadros que aparecem na reportagem não me foram visualmente desagradáveis. Ver a forma como ela cria também me passa a impressão de que ela não faz qualquer merda.

Acho na verdade que a menina simplesmente deu sorte de receber o estímulo certo dos pais. Quando somos pequenos, somos treinados a desenhar tentando reproduzir a realidade, o que fica bem difícil devido às limitações de coordenação motora e outras questões inerentes à pouca idade. Desaprendemos a pensar textura, porque precisamos aprender a usar o papel liso e em branco; desaprendemos a pensar composição, porque estamos nos concentrando em reproduzir formas; desaprendemos a pensar cor de forma abstrata, porque somos ensinados a respeito das cores de cada objeto ("a maçã é vermelha" dizia a professora no meu jardim).

Aelita não. Ela provavelmente via seus pais brincando com tintas e outros materiais e começou a fazer o mesmo (nenhuma criança normal tem permissão dos pais pra colar esponjas, cabeças de boneca e talheres de prata num quadro salpicado de tinta). Tendo a possibilidade de fazer arte como toda criança gostaria de fazer, ela desenvolveu suas capacidades de forma muito mais livre e se concentrou em preocupações que talvez sejam muito mais instintivas e que desaprendemos com o tempo. "Acho que essa tinta ficaria boa com essa" e por aí vai.

Como dizem os pais, ela parece ver a arte de forma inocente, como uma criança que brinca com o que está na frente dela. Não há uma consciência artística por trás das obras. Nem talento. Pra mim isso é pura intuição, experimentação e bom gosto. Será que qualquer criança com as mesmas oportunidades não faria o mesmo?

Por fim, mesmo que fosse um adulto fazendo os mesmos trabalhos, eu teria uma séria dificuldade de considerar isso arte. Mas tendo a achar ainda pior o fato dela ser uma criança de quatro anos. Preconceito meu? Talvez. Você daria 10 mil dólares num quadro dela se pudesse?

Um comentário:

  1. Sabemos muito bem que o valor de um quadro é definido pelo QI (quem indica) de um crítico de arte. Há poucos dias vi uma reportagem na TV mostrando uma anta que vendeu alguns quadros. Claro que, aqui no Brasil tem algumas na TV, no jornalismo e na política, mas não é a mesma coisa.
    Críticos de arte são vendedores que estipulam o valor de cada peça baseados no quanto (ou o que) estão levando.

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