segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lei Rouanet: Até quando ajuda a cultura ?

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Semana passada estive conversando brevemente com o Will e sua trupe e em certo momento da conversa, nem lembro do porque, resolvemos falar sobre incentivos fiscal. Mas como tinha que fazer coisas importantíssimas (ver o jogo do flamengo) abreviei a conversa por ali.

Agora vai minha opinião integral sobre a tão famosa Lei Rouanet.

Claro que, se você já foi em um cinema ou viu uma propaganda de peça teatral, já deparou com esse singelo logo:
Primeiramente, não sou contra a lei. Mas acho que deveria selecionar melhor quem se beneficia dela. Até porque ela abre uma brecha e tanto para ocorrer lavagem de dinheiro. Todo cuidado é pouco quando se trata do meu, do seu dinheiro.

Pelo menos deveria...

Não se esqueça que isenção fiscal quer dizer que ele deixa de pagar e o governo arrecada menos. Ou seja, a contrapartida social é obrigatória. Mas não é isso que vejo por ai...

Explico o porque da minha indignação.

Vamos começar pelo teatro.

A lei Rouanet é realmente muito importante para que se possa ter peças de qualidade. Concordo. Mas peças que recebem patrocínio de grandes empresas (muitas vezes estatal) e tenham algum chamariz como um ator famoso, um diretor, uma companhia ... deveriam ter vergonha de recorrer a lei.

Isso não deveria ser apenas uma questão moral, deveria ser uma questão legal. A exceção seria se a peça tivesse uma verdadeira contrapartida social, mais especificamente cultural.

Porque o mínimo que as peças com incentivos fiscais deveriam ser é... baratas! A popularização do teatro se deve muito a isso. Peças a valores populares ou gratuitas fazem sucesso. Mesmo com suas estruturas precárias. 

Já vi peça onde os objetos eram simulados com pregador de roupa e só. A boa ideia fez o espetáculo. Claro que isso não serve de parâmetro para uma peça de teatro de alta produção, mas antes de querer ganhar muito fazendo teatro deveriam popularizá-lo, e não rebaixar e menosprezar o público como fazem certos Fallabelas por ai.

Em relação ao cinema eu sou mais enérgico.

Incentivo apenas para a arte. Nunca para blockbusters da vida.

Não vejo motivos para o governo dar dinheiro (ou deixar de receber, que é a mesma coisa) para histórias ridículas que em nada acrescentam como inumeráveis sequencias de Xuxa e o cacete a quatro, Didi e o blá blá blá qualquer, O homem que copiava, Ó pai,ó, Se eu fosse você 1,2,3 ... 927... até onde der dinheiro... pra Globo, é claro...

Roteiros originais, histórias fascinantes, tramas improváveis, retratação histórica... Esse deveria ser o requisito mínimo para quem libera a grana . 

A nossa grana.

Se o Cinema brasileiro quer ser algo alem de chacota por produzir filmes como esses que citei acima (o homem que copiava é ate legalzinho, mas a história é previsível assim como seus lucros), deveria rever seus conceitos de o que é “cultura útil” ou não.

"O Cheiro do Ralo", "Estômago", "Lóki", "Batismo de Sangue", "Cidade de Deus", "O Que é Isso, Companheiro?"... Esses que me vieram à cabeça e mais alguns mostraram que o dinheiro investido em arte é um ótimo investimento.

Falei sobre esses 2 ramos, pois acho que devem ser os que recebem a maior fatia do bolo.

Resumindo, incentivo fiscal apenas para quem estimula a cultura de verdade para o povo. 

Se o dinheiro investido em saúde tem que ser revertido em hospitais e postos para a população, nada mais justo que o dinheiro do incentivo fiscal destinado a cultura seja destinado exclusivamente ao enriquecimento cultural do povo.

Sem mais, Meritíssimo.

Concorda? Discorda? Falei groselha? Escreva nos comentários.

5 comentários:

  1. Como a Ju gosta que eu faça o advogado do diabo, vou discordar um pouco do Tom.

    Primeiro eu preciso concordar que blockbusters deveriam ficar de fora desse benefício, que essa lei abre uma puta brecha pra lavagem de dinheiro e que deveria ser priorizado o que pode trazer benefícios culturais para o povo.

    A questão é que nesse campo tudo é MUITO relativo. Definir o que é cultura e o que é arte é um desafio e acaba sendo algo muito pessoal. Você falou em cultura útil e eu concordo, mas ainda fica muito difícil estabelecer limites.

    "Ó paí, ó", que eu fiquei ofendido por ter ido assistir, é um bom exemplo. Se não me engano, ele usou vários atores da região, amadores e talz. Juntá-los com o Lázaro Ramos é uma experiência profissional bacana pra eles, dá visibilidade pro trabalho desses desconhecidos, mostra um estilo de vida bem brasileiro e ao mesmo tempo bem desconhecido (e estilo de vida é cultura), leva investimentos pra região e por aí vai...

    Realmente é um filme pra lá de idiota. Mas acho que os benefícios para a população não podem ser medidos apenas por parâmetros intelectuais como o fator artístico ou as lições de história que o filme dá.

    Eu prefiro o mesmo mundo que você tá defendendo, mas acho que não dá pra ser assim. Não sempre.

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  2. Ah, Will, como vc é bonitinho. =) É por isso que eu te amo. Hahahahahahahahahaha...

    Pra variar, eu concordo com vc. É claro que definir o que é cultura e o que é arte é muito relativo, mas dá pra ter uma noção, né?! =P

    Mas o que é mais preocupante mesmo é o desvio da grana, pq se ela for pro lugar certo, gera esses benefícios locais que vc falou e que a gnt normalmente não para pra pensar...^^

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  3. Infelizmente nao to por dentro da lei, entao nao posso opinar muito.

    Mas lembrei do caso da Bethania... Afinal, ela conseguiu a grana pro tal blog?

    Ou ficamos (tomara) só no blogdabethania.blogspot.com mesmo? haha

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  4. Ela conseguiu... Um milhão ou algo assim.

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