quinta-feira, 17 de março de 2011

Desejo & Depravação

Uma exposição na Suécia vai abordar 500 anos da relação entre arte e sexualidade. A mostra, chamada Desejo & Depravação, acontece no Museu Nacional de Estocolmo a partir do dia 24 deste mês e apresenta mais de duzentas obras que ilustram as mudanças na percepção de sexualidade e moralidade através dos séculos.

A exposição vai reunir trabalhos que vão desde o século 16 até a atualidade, explorando os contrastes na forma como a virtude e o pecado têm sido representados na arte em diferentes épocas. A idéia é que os visitantes tenham suas próprias interpretações sobre o que é desejo e o que é depravação, segundo a gerente de divulgação do Museu, Anna Jansson.

Uma das montagens da exposição mostra como as meninas eram educadas para viver uma vida virtuosa, a fim de arranjarem um bom marido. Entre os itens em exibição estará um cinto de castidade cedido pelo Nordiska Museet de Estocolmo.

Pinturas de bundas femininas vão decorar a primeira sala da mostra, em uma referência considerada pecaminosa em outros tempos. Os organizadores da exibição observam que, no passado, os valores vigentes rezavam que o sexo, além de restrito ao casamento, exigia contato visual frontal entre o casal a fim de ser moralmente aceitável.

Obras do século 16 estarão representando a rígida moral religiosa do período. Nessa época, muitos artistas pintavam detalhes eróticos em cenas míticas ou bíblicas, em geral carregadas de insinuações moralistas sobre as consequências de um estilo de vida pecaminoso.

No século 18, pinturas de tom erótico eram em grande parte restritas aos aposentos privados dos homens. Até a metade do século 19, os museus ainda enfrentavam dilemas para exibir obras com nuances eróticas. Como observa Anna Jansson, alguns museus chegavam a encomendar folhas de figueira para encobrir as partes íntimas representadas em esculturas antigas.

Havia, no entanto, uma enorme diferença entre o comportamento que a Igreja pregava para as massas e as liberdades que as elites se davam. A mostra examina a visão das classes altas no século 18, para as quais o casamento era essencialmente uma instituicão social – paixões ardentes eram buscadas com frequência longe da bênção dos padres.

A partir do século 19, com a expansão da urbanização e o crescimento das cidades, os encontros sexuais anônimos e a prostituição trouxeram novas interpretações de sexualidade e moralidade.

A visão contemporânea de virtude e pecado estará representada na mostra por obras de artistas suecos e dinamarqueses como Kristina Jansson, Gisela Schink e Lars Nilsson. "A arte erótica sempre foi produzida por homens e para homens. Quisemos mudar essa perspectiva, e por isso incluímos várias artistas mulheres na parte contemporânea da mostra", afirma Anna Jansson.

”Desejo & Depravacão” estará aberta ao público até 14 de agosto.

[Oráculo: BBC Brasil]

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