segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cativo de Circe

Enviado pelo Sophyzta Macabro.
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Fungando perto da minha boca,
o hálito afrodisíaco, envolvente
e as mãos cálidas pousando
nas coxas como que se não
quisesse nada...
E ao mesmo tempo me agarrava,
sufocava minha sensatez
de homem justo cortês,
violando meu templo,
cheio de incensos
pra dar gozo e mais nada.

Por entre as pernas frementes
escorria lisa e cálida...
Com pedidos latentes
para penetrar-lhe
seu recipiente
cheio de ingredientes.
Lambia seu cálice de onde
surge a vida.

A lascívia
assume uma das formas
de pesquisa,
porque quero ser sábio
nas curvas femininas,
degustando os goles
nos suores dessa alquimia.

Os corpos estão compostos
na melodiosa sinfonia.
Ditosa...
Perdendo todo o senso
em suas forças propenso:
fui ventríloquo postiço,
conduzido com maestria
por sua invisível
e irrefutável via.

Gemido viscoso
que me configura
a um urro estrondoso.

Vai guiando na pontilhada
dos pecados, onde assino
o meu contrato nefasto.
E tenho anseios demoníacos,
afrodisíacos, dionisíacos,
hetermaníacos...
E me gasto
ao romper da manhã.
Sei que toda mulher
é uma espécie de Circe
que joga, cativa e conquista
com meiguice,
faz do sábio tolo
com seu encanto,
seu dúlcido amaranto
e astuto dolo.
Faz o errôneo
parecer idôneo.
E o homem
paradoxo de cachorro.

Mênfis Silva e Bruno Pereira (Sophyzta)

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