domingo, 25 de abril de 2010

"só sei que nada sei"

vi outro dia uma entrevista de Waldez Ludwig ao "Sem Censura" em que ele afirmava que, ao longo da história da humanidade, o trabalho sempre foi valorizado pela sua raridade, e não pela sua importância.

não consegui, sinceramente, encontrar contraexemplos para desmentir tal afirmação; o mais longe que fui nesse sentido foi lembrar da Suíça, país em que, me disse uma amiga suíça da minha mãe, o nível de salário de trabalhadores braçais equipara-se ao de doutores.

de qualquer maneira, o importante é que, no geral, Ludwig está certo. dentre as desumanidades da lógica capitalista, acredito ser esta (a diferenciação de ganhos, ainda mais da forma como é feita) das mais cruéis no que diz respeito ao assassinato da individualidade: você realmente acredita que a sua trajetória profissional seria a mesmo se não houvesse pressão financeira?

depois de um bom tempo tentando dissecar esta idéia, cheguei a conclusão de não ser capaz de dar um panorama satisfatório sobre esse assunto sem ficar horas pensando e sem debater com algumas pessoas sobre isto. vocês poderiam me ajudar a construir essa idéia? eu penso um pouco como Sócrates, todas as pessoas, inclusive os mendigos (acho que principalmente os mendigos, na verdade) têm muitíssimas coisas de relevantes para me acrescentar, mesmo não passando nós todos de um bando de ignorantes.

vou lançar algumas idéias nos comentários. e vocês, o que acham????????

4 comentários:

  1. - quantas pessoas são influenciadas pelas possibilidades de ganhos ao escolher uma profissão, quase todas? e as que não o são, sofrem na sua maioria as consequência disto, não sofrem? (...)

    - de que formas se manifestam a "coerção monetária"?
    1) psicológica: medo, insegurança, estresse, etc. (a preocupação com o dinheiro muitas vezes restringe os prazeres da vida fora do trabalho)
    2) física: e o cara que trabalha tanto e/ou leva tanto tempo pra se transportar para o trabalho que nem tempo muito tempo para a sua vida pessoal (a maior parte da população, né?)
    (...)

    etc., etc., etc.

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  2. - as pessoas são extremamente complexas e plurais; será que, se não houvesse tal coerção, elas escolheriam um e somente um ofício pro resto das suas vidas, como faz a maioria das pessoas? é muito difícil para as pessoas mudarem de profissão ou fazerem outra atividade, quando não impossível (inviável financeiramente, pois precisam sustentar família, etc.)

    - como seria um mundo onde as pessoas trabalhassem a mesma quantidade de horas e ganhassem a mesma coisa, independemente do ofício que escolherem desempenhar a cada momento?

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  3. Lembrei d uma situação clássica. A mulher casa e tem filhos ainda nova e, como normalmente escolhe se dedicar à família, vê sua carreira ficar estagnada ou mesmo fica dependente do marido. Ou a mulher escolhe se dedicar à carreira e buscar sucesso profissional antes de formar uma família. Em conseqüência, fica com fama de solteirona e talvez só vá pensar em casar quando suas chances de conquista tiverem diminuido consideravelmente (e podendo nem ter alcançado o sucesso que queria).

    Se essa situação é só um estereótipo ou não, pouco interessa. A lógica dela ainda é verdadeira e reflete o quanto a pressão financeira pode prejudicar a vida das pessoas. E o quanto vida e profissão podem ser difíceis de conciliar. Uma lógica salarial mais igualitária poderia igualar as prioridades das pessoas também. Ou não.

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  4. ótimo ponto, Will!!!

    no nosso mundo hipotético, então, ainda haveria pessoas que deixariam a vida pessoal de lado para investir na carreira, mas essas não o fariam pela preocupação de ganhar dinheiro

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