quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Arte Enquanto Performance Notável

Lendo um livro de auto-ajuda ("O Efeito Bis", de Mark Sanborn), encontrei um conceito deveras interessante para a idéia de arte. Basicamente o livro trata de como atuar de forma notável em qualquer área de nossas vidas e compara isso às performances artísticas (principalmente em xous) em que a platéia ovaciona o artista e ele retorna ao palco para um bis. Isso é um ciclo (a platéia estimula o artista que, estimulado, se apresenta ainda melhor e agrada ainda mais a platéia, que o aplaudindo mais para que ele permaneça no palco e por aí vai) e, segundo o autor, aplica-se a tudo na vida (jogar futebol, fazer sexo, criar seus filhos, administrar sua empresa, estudar).

Mas isso aqui não é um blog de auto-ajuda, então foda-se o livro. A questão aqui é um trecho que me pareceu muito interessante para ajudar a tentar compreender o conceito de arte. Sempre tento inutilmente definir e debater com meus amigos o que seria arte. Nenhuma idéia, por melhor que seja, parece dar conta de englobar tudo o que já foi considerado artístico até hoje. Mas este trecho, apesar de simples, tem muito a ver com o que eu ando pensando sobre arte. Não é bem uma definição, mas ajuda a explicar.

"Da Broadway a diretorias corporativas, aprendi que toda performance notável nos afeta. Elas:


Nos levam a agir.
Nos fazem sentir bem.
Nos fazem rir.
Nos estimulam a pensar.


Apenas as mais incríveis performances causam todos os quatro, mas ao longo do tempo aprendi que toda performance memorável causa ao menos um desses quatro impactos."

Não preciso nem dizer que acho o primeiro e o último os mais importantes. Também trocaria os dois do meio por "nos despertam um sentimento profundo", qualquer que seja ele. Uma performance notável pode nos fazer sentir muito mal e nos fazer chorar em vez de rir. Mas acho que é por aí que algo deve caminhar pra ser arte e concordo com Sanborn que este tipo de atuação pode e deve valer para tudo na vida, afinal, a vida é um grande palco e nós somos os atores.

Merda!

3 comentários:

  1. achei interessante o livro.. vou lê-lo! o que você achou dele???

    achei ótima a mudança que você prôpos e, de fato, esse trecho faz repensar o conceito de arte.

    realmente, não dá pra definir a arte por isso: a arte precisa causar um desses efeitos pra assim ser denominada, mas a presença de tais elementos em algo não implica que essa coisa pode ser chamada de arte.

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  2. Eu gostei mesmo do livro, mas não sei se recomendo. Talvez por causa do meu preconceito contra livros de auto-ajuda, talvez não. O fato é q acho que o livro não fala nenhuma novidade. Ninguém precisa ser um gênio para pensar que um bom caminho para o sucesso em qualquer área da vida é desempenhar suas atividades de forma notável. E que pra conseguir isso você tem que ter paixão pelo que faz, se preparar bem, praticar bastante, envolver o público e "polir" a performance até o último instante.

    Acho que não tive nenhuma surpresa durante a leitura. Mas acho muito válido ver todas essas idéias bem amarradas e cheias de exemplos nos mais variados sentidos ao longo do livro. Me fez pensar em exemplos que eu conheço e, mais importante, em como aplicar isso à minha vida e à minha relação com Dionísio. Garanto que muito do que fiz no churrasco e na reunião de cópula foi influência do livro.

    Em suma, É um roteirinho legal. Não é nada revelador, mas pode ser inspirador.

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  3. Ai, ai... livros de auto-ajuda...

    Um dia escrevo um para ganhar um dinheirinho.

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