quinta-feira, 4 de março de 2010

uma expressão de busca pela liberdade

as ocupações do Rio de Janeiro não são apenas a moradia de pessoas sem-teto, mas também o palco de uma rica cultura underground.

a maior parte de pessoas que frequentam esses espaços se dizem libertárias, e muitas consideram-se anarcocomunistas.

tive a oportunidade de visitar algumas ocupações e a primeira vez, particularmente, foi maravilhosa!

cheguei sozinho, convidado por uma amiga, para o evento, que consistia basicamente de rodas de discussão de assuntos diversos (política, filosofia, vegetarianismo, não me lembro ao certo) e shows de bandas anarcopunk. devo dizer que as rodinhas punks literais, compostas indistintamente de mendigos e de jovens do Leblon, são fantásticas! sob o extremamente envolvente som punk, vi uma bandeira do Brasil ser queimada, algumas meninas girando suas blusas no ar enquanto os seios desnudos saltavam ao ritmo da música e muita, muita alegria em todos que ali estavam. conversei com alguns dos idealizadores/participantes de muitos protestos, de visitas à favelas com trajes de palhaços com o objetivo de conscientizar e de outras ações sociais. vi pela primeira vez uma churrasqueira vegan, mas não encarei o dente de alho no espeto.

na segunda vez, fui com dois amigos. tivemos uma surpresa desagradável na entrada: um deles foi barrado, apesar de ser cabeludo, por trajar um suspensório (acessório skinhead clássico). a explicação, no entanto, foi justa: eles compreendiam que ele não era um skinhead, mas algum punk fanático podia não ver da mesma forma. ele amarrou, então, o suspensório na cintura e pôde entrar. uma vez lá dentro, presenciamos uma excelente performance de mais de uma hora de duração um bebê de cerca de um ano, que berrava ideologias punks incompreensíveis à minha inteligência ao som de uma bateria extremamente agressiva. vimos mais tarde, ainda, alguns ótimos hits anarquistas, como "a bunda é minha e eu dou pra quem eu quiser!", entre outras expressões do pensamento libertário (ou libertino) que, infelizmente, não me recordo (não terei mais esse problema no futuro, pois acabo de criar um "diário" onde anoto todos os dias tudo o que vi/ouvi/senti/pensei de interessante).

um outro dia, fui ver um recital de poesia, e acabei contribuindo com uma criação minha. esse dia acabei fazendo merda. subimos uma garota e eu o prédio "abandonado", e acabamos transando na escada. tava tudo muito escuro, e não me toquei que tinham pessoas vivendo naqueles andares. acabamos sendo flagrados e tomando um puta esporro merecido.

as minhas impressões sobre o lugar e as pessoas foram ótimas. considero o valor dessa experiência cultural inestimável, e acho que todos deveriam conhecer.

só fui negativamente surpreendido por uma coisa. uma vez, em uma roda com vários punks, lancei a idéia que eu e uns amigos tínhamos de fazer uma festa naturista (que acabou rolando na minha casa tempos depois). a reação: todos (ou quase todos) acharam interessante, mas só topariam tirar a roupa se estivessem bêbados.

pretendo visitar alguma das ocupações em breve. alguém teria interesse em ir?

14 comentários:

  1. Eu tenho interesse em visitar lugares assim! Parecem eventos e ações bem legais. Só acho q pecam pela divulgação. Ñ pra bombar, mas pra dar exemplo e fazer com q mais eventos assim acontecessem. E as ações seriam mais efetivas se a visualidade fosse maior. Ainda assim, mt válido. Me chama.

    "um bebê de cerca de um ano, que berrava ideologias incompreensíveis"
    Pq isso me lembra aquele vídeo clássico do youtube da menina pastora?

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  2. Nossa, deve ser legal pacas ir num lugar desses, a escoria da humanidade reunida...

    Nao, obrigado.

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  3. você pensar isso é mais um motivo para ir. quem sabe se for você não aprende a respeitar um pouco mais as diferenças, a ser um pouquinho menos ignorante? se bem que não deve adiantar, a julgar pelo seu discurso você não é apenas ignorante: só pode ser extremamente burro também.

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  4. Caio ficou com ódio no coração... Eu tinha feito um comentário a lá Boris Casoy pra ele, mas resolvi tirar. Nem tava tão engraçado assim...

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  5. não fiquei com ódio nenhum, hahah, só disse exatamente o que eu penso

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  6. ah, bota o comentário à Casoy aí!

    o que ele disse foi tão absurdo que só rindo mesmo

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  7. Nem ia ser engraçado. Ia ser algo tipo "que merda, um paulista dando sua opinião do alto de seu sitezinho de despachantes... o mais baixo na escala do bom senso..."

    Como eu disse, sem graça.

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  8. Will e Caio,

    Voces devem ser dois viados da mais alta boiolagem.

    Morram.

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  9. OK, agora temos um paulista com hemorróida.

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  10. será que a hemorróida dele foi causada por sexo anal em excesso?

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  11. Prezados,

    Voces me acuasam de nao saber respeitar as diferencas e me vem com "que merda, um paulista dando sua opinião do alto de seu sitezinho de despachantes... o mais baixo na escala do bom senso..."???

    Voces sao uns idiotas que pensam saber alguma coisa da vida, que acham bonito ser fudido e pobre. Acham bonito ser punk-anarquista-filhinho-de-papai?

    Vamos conversar daqui uns 10 anos, ok?

    JotaPe

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  12. Eu coloquei entre aspas, caro JP. Era uma piadinha q eu teria feito com qualquer profissão. Minha intenção seria pseudo-julgar você pelo seu grupo, independente de qual fosse para meio q pagar na mesma moeda. Nada pessoal.

    Talvez sejamos uns idiotas que pensam saber alguma coisa sim. Quem sabe... Mas tentamos pensar por conta própria e isso me satisfaz. Bem melhor do q reproduzir preconceitos contra qualquer grupo.

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  13. certamente há pessoas lá que vão na onda do grupo, que são porque acham bonito (assim como em qualquer outro grupo). mas, pelo que eu conheci, a maioria de fato acredita numa sociedade mais livre e igualitária e, não apenas acreditam, mas FAZEM alguma coisa de boa pelo mundo enquanto você fica sentado na sua cadeira de escritório enchendo o rabo de dinheiro.

    aí vão dois conselhos, partindo de quem não sabe nada da vida para quem parece saber tudo:

    1) livre-se de tantos preconceitos, da "sua velha opinião formada sobre tudo" e da sua arrogância: você nunca conversou 5 minutos com um anarco-punk ou visitou um espaço como este e é capaz de fazer um julgamento do gênero

    2) valorize menos o dinheiro: ele é essencial pois sem ele não vivemos, mas existem MUITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS coisas mais importantes do que ele

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  14. "Mas tentamos pensar por conta própria e isso me satisfaz. Bem melhor do q reproduzir preconceitos contra qualquer grupo."

    o Will disse tudo já

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