quarta-feira, 24 de março de 2010

"a narrativa mais impura já escrita" #5

hoje encerramos o ciclo das paixões simples. nos três últimos posts da série, tratarei dos ciclos restantes: o das paixões complexas, o das paixões criminosas e o das paixões assassinas (veja a parte 1 dos contos do livro Os 120 Dias De Sodoma para outras informações). leia também as partes 2, 3 e 4.

O CONTEÚDO A SEGUIR, ASSIM COMO O QUE VIRÁ NOS PRÓXIMOS POSTS, PODE CONTER (E PROVAVELMENTE CONTERÁ) ELEMENTOS DE CARÁTER IMORAL E/OU REPUGNANTE.


"Essa criatura, que tinha mais de quarenta anos, além de encantos muito murchos e que nunca foram muito sedutores, tinha o horrível defeito de ter pés fétidos. Era exatamente o sujeito que convinha para o marquês de... Ele chegou, apresentaram-lhe a senhora Louise (era o nome dessa heroína), ele a achou deliciosa, e assim que esteve com ela no santuário dos prazeres, mandou que tirasse os sapatos. Louise, a quem haviam rogado que não trocasse a roupa de baixo nem os sapatos durante mais de um mês, ofereceu ao marquês um pé infecto que teria feito qualquer outro vomitar: mas era precisamente o que esse pé tinha de mais salgado e nojento que melhor inflamava nosso homem. Ele o agarrou, beijou com ardor, sua boca afastou um por um cada dedo e sua língua ia recolhendo com o mais vivo entusiasmo em cada intervalo essa borra enegrecida e fedorenta que a natureza ali depositara e que a falta de cuidado de si multiplicara. Não só a trazia para a sua boca, como a engolia, a saboreava, e a porra que perdeu masturbando-se nessa expedição tornou-se a prova cabal do excessivo prazer que ela lhe proporcionara."

"Curiosa de ter aquele devoto frente a frente, fui voando até o buraco, e uma vez reunidos esses amantes, após algumas carícias preliminares, todas dirigidas à boca, vejo nosso retórico instalar delicadamente sua cara companheira numa cadeira, sentar-se em frente dela e, depositando-lhe suas relíquias, no mais deplorável dos estados, entre as mãos: 'Agi minha bela criança', lhe disse, 'agi: conheceis os meios de me tirar deste estado de langor; adotai-os rapidamente, conjuro-vos, estou louco para gozar'. Aurore recebeu a ferramenta flácida do doutor numa mão e com a outra agarrou-lhe a cabeçca, colou sua boca na dele onde começou a despejar-lhe uns sessenta arrotos, um atrás do outro. Nada poderia descrever o êxtase daquele servidor de Deus. Estava no sétimo céu, respirava, engolia tudo o que ela nele lançava, parecia que ficaria desolado caso perdesse o mais leve sopro, e, enquanto isto, suas mãos se desencaminhavam no peito e sob os saiotes de minha companheira. Contudo, essas carícias não eram senão secundárias; o objeto único e crucial era essa boca que o enchia de suspiros. Finalmente seu pau, inchado pelas cócegas voluptuosas que sentia graças a essa cerimônia, acabou esporrando na mão de minha companheira, ele foi embora jurando nunca ter sentido tanto prazer."

por fim, um pouco de coprofagia: não dá pra apresentar Sade sem falar disso; mas peguei beeeem leve...

"Pouco depois, chegou outro que Eugénie atendeu. Ele mandava trazer um barril cheio de merda, nele mergulhava a garota nua e lambia todas as partes de seu corpo engolindo, até torná-la tão limpa como a encontrara. Tratava-se de um famoso advogado, homem rico e muito conhecido e que, tendo apenas parquíssimas qualidades para fazer mulheres gozarem, remediava a esse estado de coisas com esse tipo de libertinagem que amara por toda a sua vida."

Um comentário:

  1. Melhor forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis: ler Sade antes de sair e perder completamente a vontade de transar. =P

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