sábado, 20 de março de 2010

"a narrativa mais impura já escrita" #4

no último post peguei leve, mas hoje lhes apresentarei um conteúdo um pouco mais hardcore: nada comparado, é claro, com o que vai rolar quando eu postar contos das paixões criminosas e assassinas (veja a parte 1 dos contos do livro Os 120 Dias De Sodoma para entender). divirta-se lendo também as partes 2 e 3.

O CONTEÚDO A SEGUIR, ASSIM COMO O QUE VIRÁ NOS PRÓXIMOS POSTS, PODE CONTER (E PROVAVELMENTE CONTERÁ) ELEMENTOS DE CARÁTER IMORAL E/OU REPUGNANTE.



"Vinha com muita frequência a minha casa um homem cujo nome e qualidade eu ignorava, mas que eu sabia ser, com certeza, um homem de condição. O tipo de mulher com quem eu o casava pouco lhe importava; bela ou feia, velha ou jovem, tudo lhe era indiferente; tratava-se apenas de bem desempenhar seu papel, eis do que se tratava. Ele costumava vir de manhã, entrava como que por descuido num aposento onde estava uma moça na cama, as saias levantadas até o meio do ventre e na posição de uma mulher que se masturba. Assim que o via entrar, a mulher, fingindo surpresa, logo se jogava ao pé da cama. 'O que vieste fazer aqui, celerado', lhe dizia. 'Quem te deu, tratante, a permissão de me perturbar?' Ele pedia desculpas, não era ouvido, e enquanto o cobria de um novo dilúvio das mais duras e mais picantes invectivas, ela voava pra cima dele enchendo-o de forte pontapés na bunda, e era-lhe muito difícil errar seus alvo, pois o paciente, longe de esquivar-se, nunca deixava de se virar para apresentar seu traseiro, embora desse a impressão de evitar e querer fugir. Os golpes redobravam, ele implorava piedade; as pancadas e os palavrões era as únicas respostas que recebia; e assim que se sentia suficientemente excitado, sacava prontamente seu pau de um calção que, até aquele instante, mantivera cuidadosamente abotoado e, com três ou quatro punhetadas ligeiras, esporrava enquanto batia asas sob as invectivas e as pancadas que continuavam."

"Um segundo, quer mais duro, quer mais acostumado a esse tipo de exercício, apenas queria proceder com um grosseirão ou um maiola que contava seu dinheiro. O libertino entrava furtivamente, o grosseirão gritava: 'ladrão, ladrão'; a partir daquele momento, como com o precedente, choviam pancadas e palavrões, mas com essa diferença, que aquele, mantendo sempre seu calção abaixado, queria receber em cheio e no meio das nádegas nuas as pancadas que lhe aplicavam, e precisava que o agressor usasse grossos sapatos ferrados cheios de lama. No momento de seu esporro, aquele não se esquivava; plantado, seus calções bem abaixados, no meio do aposento, sacudindo-se com toda sua força, afrontava as pancadas de seu inimigo, e, nesse último instante, desafiava-o de lhe fazer pedir clemência, insultando-o por sua vez e jurando que estava morrendo de prazer. Quanto mais o homem que eu fornecia àquele era torpe, quanto mais era vinculado ao povão e quanto mais seus sapatos eram grossos e sujos, mais o enchia de volúpia; eu devia ter, para esses refinamentos, os mesmos cuidados que seriam precisos empregar, com outro homem, para maquiar e embelezar uma mulher."


"Um quarto exigia os mesmos preliminares, mas, assim que começavam a chover bengaladas nas suas costas, masturbava-se diante de todo mundo. Então suspendiam um instante a última operação, embora as bengalas e as invectivas continuassem, para em seguida, assim que o viam animar-se e que sua porra estava prestes a sair, abrirem uma janela, apanhavam-no pelo meio do corpo e lançavam-no do outro lado sobre um estrume preparado de propósito, o que lhe valia uma queda, quando mais, de uns seis pés. Este era o momento de seu esporro; seu moral estava excitado pelo preparativos que antecederam, e seu físico apenas o era pelo impulso da queda, e era apenas no estrume que sua porra corria."

"Um homem, pago para isto e vestido de arruaceiro, entrava repentinamente no aposento em que o homem que nos fornecerá o quinto exemplo encontrava-se trancafiado com uma moça, cujo traseiro beijava à espera de execução. O arruaceiro, voltado-se contra o freguês, perguntava-lhe insolenemente, ao arrombar a porta, com que direito ele usava assim sua amante e, empunhando sua espada, pedia-lhe para se defender. Constrangidíssimo, o freguês caía de joelhos, pedia perdão, beijava o chão, beijava os pés de seu inimigo, jurava-lhe que podia retomar sua amante, que ele não queria brigar por uma mulher. O arruaceiro, que as molezas de seu adversário tornavam mais insolente, ficava bem mais imperioso: tratava seu inimigo de covarde, de sonso, de imprestável, e ameaçava retalhar seu rosto com a lâmina de sua espada. Quanto mais um se tornava mau, mais o outro se humilhava. Finalmente, após alguns instantes de debate, o agressor oferecia uma saída a seu inimigo: 'Bem vejo que és um sonso', dizia-lhe. 'Perdôo-te, mas com a condição que beijes a minha bunda.' 'Oh! senhor, tudo o que quiserder', dizia o outro, encantado. 'Eu a beijaria até cheia de merda, se assim quiserdes, contanto que não me façais mal algum.' O arruaceiro, colocando sua espada de volta na bainha, expunha na hora o seu traseiro; feliz demais, o freguês voava nele com entusiasmo, e enquanto o moço lhe soltava meia dúzia de peidos no nariz, o velho devasso, no cúmulo de sua alegria, soltava porra morrendo de prazer."

12 comentários:

  1. Hahaha...esses contos são bem leves!
    Não compreendo como as pessoas podem ficar horrorizadas com algo tão singelo.

    Observem que os personagens centrais dos contos só se excitam em situações bem específicas, eles pagam para que seja montada uma cena teatral onde possam viver as fantasias de sua imaginação. O prazer nesses casos envolve muito mais características psicológicas do que físicas. A única estranheza fica por conta do fetiche por coisas sujas, mas até aí, cada um é cada um...rs.

    O cara goza, ninguém se machuca e no fim os devassos que topam participar da cena ainda ganham uma grana. Hahahaha...tudo muito bonitinho, um tanto extravagante, é claro, mas ainda são taras muito simples.

    Acho que o Caio está querendo calejar os leitores aos poucos, para acostumá-los as narrativas mais hardcore que virão...kkkkkk.

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  2. Um bom exemplo de como essas fantasias envolvendo jogos teatrais e submissão, são práticas inofensivas, que visam apenas o prazer dos envolvidos, encontra-se nos filmes pornográficos da série Public Disgrace da produtora inglesa Kink.

    Lá, algumas dessas perversões do marquês são apresentadas de uma forma bem requintada e artística, com ares aristocráticos e elegância ímpar, em algo que poderia ser definido como pornografia de alto-luxo envolvendo BDSM e humilhações públicas. Tudo dentro de um ambiente teatral.

    Para quem quiser conferir, segue link para download:
    http://www.exbii.com/showthread.php?t=547644&page=4

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  3. Ozzie, valeu pelo comentário e pelo link, eu deveria postar essas coisas para os leitores que se interessarem pelos contos...

    acho que o fetiche por coisas sujas está diretamente relacionado aos demais fetiches, então não vejo porque ele é mais estranho que os demais.. e acredito ser esse fetiche muito mais de caráter moral do que de físico.

    fantasias envolvendo jogos teatrais são extremamente excitantes, porque permitem as pessoas libertarem-se da própria personalidade e descobrir outras facetas da sua sexualidade.. a questão é quais tipos de jogos ela acha excitante.

    até hoje, o pessoal copia muito de Sade, tanto em matéria de filosofia quanto de perversões. quando eu vi O Albergue 2 fiquei abismado como a maioria das torturas parecem ter sido adaptadas dos livros do Sade.

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  4. Não li nada do blog ainda, tô morrendo de sono
    =P
    Só para deixar um comentário mesmo, conforme combinado ontem.

    Beijos.

    Ah, meu msn é unwrittten@hotmail.com

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  5. Nat, você usa isso como e-mail também? se não for este, me manda um e-mail: gimanske@gmail.com

    é que eu não uso Msn.. de qualquer forma, vou te adicionar e vou ver se te acho online

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  6. Achei o kra do esterco o mais criativo. Posso até ler essas coisas na boa, mas tô quase entrando em crise de abstinência por falta d ler algo q me excite em vez d me dar chocar.

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  7. O que mais me chamou atenção nesse post foi a imagem da loira. Triste quando tudo despenca.

    Mas quanto aos contos... eu acho que são chocantes pela excentricidade com que os personagens sentem prazer. E realmente, do ponto de vista moral, são perversões horríveis.

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  8. Não li nada de chocante neste post. Huashua e pensei que iria ler algo me me excitasse rs imaginem minha decepção no fim da leitura!rs E como já são 5h da madru vou rezar pra cair uma chuva bem pesada e minha mãe dormir tanto que passe da hora de me acordar pra aula! Aliás rs essa deveria ser a hora de me levantar para tal.

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  9. Olá novamente...

    Caio, o que é "O Albergue 2"? É algum filme, ou é um livro??

    Eu tb escrevo contos e devo admitir que a grande dificuldade que tenho é justamente imaginar algo tão inusitado que ainda não tenha sido escrito...se tratando de perversões sexuais, parece que o marquês já catalogou e escreveu sobre tudo. É difícil criar algo que pareça original.

    Tb acredito que essa tara por coisas sujas tenha mais a ver com questões morais e psicológicas, do que propriamente físicas. Mas quando falei em "estranhezas", na verdade quis dizer que, não fosse por esse diferencial escatológico as transas apresentadas nestes dois contos seriam apenas fantasias normais, sem nada que causasse impacto ou repulsa, típicas características do trabalho de Sade.

    E concordo 100% com vc, sexo envolvendo jogos teatrais são ótimos recursos para explorar a sexualidade latente.

    Até a próxima. Bye!

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  10. O Albergue 2 é um filme, dirigido pelo Tarantino, eu acho.. é muito pesado e vale muito a pena

    também tinha essa impressão do Marquês, mas depois que reli Os 120 Dias de Sodoma, comecei a achar muito coisa repetitiva e a pensar em perversões que eu já vi na internet e que ele não relatou..

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  11. Lizza, por que achou que fosse ler algo que te excitaria?

    e você não achou nada chocante? to curioso pra saber o que te choca.. hehe

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  12. Legal, vou ver se encontro esse filme pra baixar, ou ver se acho em alguma locadora. Se for mesmo do Tarantino deve ser um filme bem doido...afinal, essa é a especialidade dele.

    E quanto as perversões que o marquês nunca relatou, fiquei curioso! Se puder citar alguns exemplos ou me passar alguns links relacionados, eu agradeço. Qualquer coisa segue meu e-mail: ozvelforgun@hotmail.com

    Valeu!

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