quarta-feira, 17 de março de 2010

"a narrativa mais impura já escrita" #3

continuamos com os contos pervertidos de Os 120 Dias de Sodoma Ou A Escola da Libertinagem, de Marquês de Sade, publicados às quartas e sábados. veja também a parte 1 e a parte 2.

O CONTEÚDO A SEGUIR, ASSIM COMO O QUE VIRÁ NOS PRÓXIMOS POSTS, PODE CONTER (E PROVAVELMENTE CONTERÁ) ELEMENTOS DE CARÁTER IMORAL E/OU REPUGNANTE.


"Era um Presidente austero, com quase cinquenta anos e que, segundo a senhora Guérin, que me disse conhecê-lo havia muitos anos, exercia regularmente todas as manhãs a fantasia com a qual vou entreter-vos. Sua cafetina regular acabava de se aposentar, não sem antes recomendá-lo aos cuidados de nossa cara mãe, e foi comigo que começou em sua casa. Ele ficava sozinho no buraco de que vos falei. No meu aposento, que era contíguo, encontrava-se um grosseirão ou um Savoyard, ou seja, um homem do povo, mas limpo e sadio; era tudo que ele exigia: a idade e o rosto não importavam. Devia, sob seus olhos, e o mais perto possível do buraco, masturbar esse honesto grosseirão, a par de tudo, e que achava muito agradável ganhar assim algum dinheiro. Depois de ter me prestado sem a menor restrição, a tudo o que o caro podia desejar de mim, eu o fazia esporrar num pires de porcelana e o abandonava assim que tivesse derramado a última gota, correndo rapidamente para o outro aposento. Meu homem, que lá me esperava em êxtase, se jogava sobre o pirs, engolia a porra ainda quente; a dele corria; com uma mão eu excitava sua ejaculação e com a outra recolhia preciosamente o que caia e, a cada jato, levando minha mão muito rapidamente à boca do devasso, fazia com que, o mais rápido e habilmente que podia, ele engolisse a própria porra à medida que derramava. Era só isto. Ele não me tocou nem me beijou, mal levantou as minhas saias, e, levantando-se de sua poltrona com tanto fleuma quanto acabara de mostrar calor, pegou sua bengala e foi embora, dizendo que eu masturbava muito bem e que havia muito bem entendido o seu gênero."

"No dia seguinte ao da vinda de nossa jovem novata, que se chamava Henriette, chegou um devasso cuja fantasia nos levou, a ela e a mim, juntas, a atuar simultaneamente. Esse novo libertino não tinha outro prazer do que o de observar por um buraco todas as volúpias um tanto singulares que ocorriam num aposento vizinho. Gostava de espreitá-los e encontrava assim nos prazerem alheios um alimento divino para sua lubricidade. Colocaram-no no aposento de que vos falei e no qual eu ia com tanta frequência, assim como minhas companheiras, espiar, para me divertir, as paixões dos libertinos. Meu papel era diverti-lo enquanto observaria, e a jovem Henriette passou ao outro apartamento com o chupador de cu de quem vos falei ontem. A paixão muito voluptuosa daquele devasso era o espetáculo que queriam dar a meu espreitador, e para melhor inflamá-lo e tornar sua cena mais picante e mais agradável de se ver, avisaram o primeiro que a moça que lhe entregavam era novata e que seu primeiro encontro íntimo seria com ele. O ar de pudor e de infância da pequena taberneira o convenceu facilmente. Deste modo, ele foi tão quente e lúbrico quanto possível nos seus exercícios libidinais, e nem sequer suspeitou ser observado. Quanto ao meu homem, o olho colado no buraco, uma mão sobre minhas nádegas, a outra no seu pau que agitava aos poucos, ele parecia regular seu êxtase com o daquele que expiava. 'Ah! que espetáculo!', dizia de vez em quando... 'Que bela bunda essa mocinha tem e como esse bugre a beija bem!' Finalmente, tendo o amante de Henriette esporrado, o meu tomou-me nos braços e, depois de me ter beijado um momento, virou-me, manipulou, beijou e lambeu lascivamente meu traseiro até inundar minhas nádegas com as provas de sua virilidade."

2 comentários:

  1. Após ler estes dois contos, fiquei seriamente encucado... Ñ sei se eles foram mais leves q os anteriores, se estes nunca teriam me chocado ou se eu estou acostumando. Será q estes contos vão nos deixar calejados pra encarar com naturalidade os fetiches mais bizarros e nos abrirmos a outras possibilidades sexuais?

    O q mais me surpreendeu foi no primeiro conto o cara exigir um homem do povo, mas limpo e sadio. Poderia ter preferido um nobre ou um homem do povo sujo. Me pergunto os motivos desta escolha.

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  2. sim, esses contos foram mais leves. mas tem muita sacanagem pra rolar ainda, hahahah

    sim, ler marquês de sade me deixou calejado e mais abertos a novas experiências. mesmo os contos que não me agradaram contribuiram para isso.

    pois é, o mais lógico seria um homem sujo, né? mas pra frente vou postar algumas coisas nesse sentido. também me pergunto os motivos da escolha, mas depois que você lê 600 perversões, uma mais bizarra que a outra, você para de achar que é pra fazer sentido (apesar de que boa parte deles dá pra entender).

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