quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dionísio no Festival

O festival do Rio está quase no fim. Para mim, ontem, quarta, foi o último dia. Não me programei para assistir a nenhum filme depois disso. Achei o festival mais fraco que nos anos anteriores e, dos 15 filmes que assisti, pouca coisa me marcou. Menos ainda mereceria ser comentado aqui, já que o blog tem um tema específico. Estava perdendo minhas esperanças, mas o último dia fez tudo valer à pena.

O primeiro filme foi When you're a strange. Para os familiarizados, fica óbvio pelo título que o filme era sobre o The Doors, principalmente o vocalista, Jim Morrison. Eu ia assistir no dia anterior, mas não consegui comprar e fiquei com medo que o mesmo acontecesse desta vez. Felizmente, consegui. O documentário foi duplamente especial para mim, pois além de apreciar a banda, estou começando a conhecê-la agora e deu pra aprender bastante. Aprendi que Morrison escreveu inúmeras poesias (e não só as que ele cantava), bebia e se drogava com ácido e cocaína, se casou em uma cerimônia pagã, se preocupava com o discurso de suas músicas e muito mais. Aprendi um pouco sobre as influências do flamenco, do blues e da música clássica nas músicas da banda (embora eu nunca vá conseguir percebê-las) e sobre como alguns dos membros buscavam o êxtase em cogumelos e na meditação. Bastaria eu ter dito que a wikipedia americana diz que Morrison é a reencarnação de Dionísio, mas tudo o que eu aprendi sobre a banda ao som de suas músicas e com a narração de Johnny Depp (outro cara indiscutivelmente dionisíaco) fizeram do filme uma experiência pra lá de batuta.

O segundo filme, Erótica Aventura está entre os filmes mais excitantes que eu já vi na vida. Nem achei que fosse ser assim. Estava dando crédito pra filmes que abordassem o sexo de alguma forma, não necessariamente dando tesão em quem assistisse. Era sobre uma mulher insatisfeita sexualmente que resolve se libertar de sua vida e experimentar várias coisas novas. Foram poucas e curtas as cenas de sexo, mas tão intensas e com mulheres tão lindas que por várias vezes pensei em me masturbar ali mesmo no cinema. Achei que a velhinha ao meu lado poderia não gostar e continuei assistindo. Além da excitação que o filme provoca, ele é bem profundo em outros aspectos. Sandrine, a personagem principal possue um amigo que adora ficar filosofando sobre diversos assuntos. E não só ele, mas todos os personagens desta obra francesa expõe seus pontos de vista de forma bastante contundente. Não são diálogos rápidos e dinâmicos, mas que te fazem mergulhar na mente de quem está falando e não querer mais sair.

Destaco neste filme o momento em que Mina explica porquê a submissão pra ela é uma forma de encontrar a liberdade. Bizarro, ne? Eu explicaria, mas recomendo que assistam e descubram. Divertidamente, essa idéia vai de encontro ao que eu mais gostei no filme anterior, que foi o narrador dizendo que, "para Morrison, obediência é suicídio". Entendendo a lógica de cada um, compreende-se a verdade em cada afirmação.

Quando criarmos a pinacoteca de filmes dionisíacos, eles estarão lá pela forma como inspiram a liberdade. Aos dois filmes eu dou o Selo Dionisíaco.

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